
Yago Dora,atual campeão mundial,em Bells Beach — Foto: Ed Sloane/World Surf League
GERADO EM: 02/07/2026 - 18:13
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A inclusão de Cloud 9,nas Filipinas,no calendário do Championship Tour de 2026 foi recebida com entusiasmo pelos surfistas. A nova etapa,anunciada pela WSL como alternativa diante das incertezas envolvendo Abu Dhabi por causa dos conflitos no Oriente Médio,agradou tanto o atual campeão mundial,Yago Dora,quanto o veterano Alejo Muniz,que fará sua última temporada no circuito. Os dois,no entanto,enxergam desafios diferentes na novidade.
Yago,que ainda nunca surfou em Cloud 9,acredita que a onda reúne características que favorecem seu estilo e o de boa parte dos brasileiros.
— Vai ser minha primeira vez indo para Cloud 9. Parece ser uma onda bem legal,que oferece tubo,oferece sessões boas para dar aéreo. É uma adição de última hora,mas necessária por causa do risco de a etapa de Abu Dhabi não acontecer por conta dos conflitos. É importante já ter essa etapa pronta caso realmente não role Abu Dhabi. Estou animado para conhecer. Parece ser uma onda que encaixa com o meu surfe e com o dos brasileiros em geral — disse ao GLOBO.

Cloud 9 nas Filipinas — Foto: WSL
A leitura faz sentido. Cloud 9 é considerada uma das ondas mais completas da Ásia. O pico quebra sobre um recife de coral na ilha de Siargao e combina tubos rápidos com seções abertas que permitem manobras aéreas,característica que costuma favorecer atletas de perfil progressivo,como Yago. Além disso,a onda é consistente entre outubro e novembro,período escolhido pela WSL para a realização da etapa.
A escolha também representa um retorno às origens do circuito. Antes mesmo de receber o CT,Cloud 9 já era uma das principais sedes do Qualifying Series na Ásia e,em diferentes temporadas,recebeu provas de nível QS 6.000,além de eventos internacionais que revelaram atletas da região. A onda ganhou fama mundial no fim da década de 1980 e hoje é considerada o principal cartão-postal do surfe filipino.
Para Alejo Muniz,a chegada da etapa representa um avanço importante para o circuito,principalmente por ampliar o número de eventos válidos para a corrida pelo título mundial.
— Para mim é superpositivo. Claro que existe um lado de viajar mais,ficar mais tempo longe de casa,mas é um problema bom. É uma etapa a mais para a galera competir,trabalhar e ganhar dinheiro. Sempre fui a favor de um circuito com mais etapas porque isso realmente ajuda a encontrar o surfista mais constante do ano para ser campeão mundial.
O catarinense,porém,faz uma ressalva importante sobre o desenho do calendário.
— Talvez o único ponto negativo seja que é mais uma direita no Tour. Mesmo eu sendo regular,sei o quanto existem direitas no circuito e acho que seria mais justo se essa décima terceira etapa fosse uma esquerda. Mas tirando isso,a qualidade da onda é incrível — afirmou ao GLOBO.
A observação acompanha uma discussão antiga entre atletas. Nos últimos anos,o Championship Tour passou a concentrar boa parte de suas etapas em direitas de point break ou reef break,como Margaret River,Bells Beach,J-Bay e,agora,Cloud 9. Muitos surfistas defendem uma distribuição mais equilibrada entre direitas e esquerdas para reduzir vantagens naturais de determinados perfis de competidores.
Mesmo assim,a avaliação geral entre os atletas é positiva. Além de preencher a lacuna deixada pela possível ausência de Abu Dhabi,Cloud 9 devolve ao calendário uma onda natural,reconhecida mundialmente pela qualidade e pelo potencial técnico.
A etapa será disputada entre 31 de outubro e 10 de novembro,em Siargao,marcando a estreia das Filipinas no Championship Tour e ampliando a presença asiática no circuito de elite da WSL.
