Pauta ideológica, apelo entre mulheres, aproximação com empresários: as estratégias dos pré-candidatos ao Senado em SP

Estilo De Vida Jun 29, 2026 IDOPRESS

Da esq. para dir.: Simone Tebet,Marina Silva,Guilherme Derrite e André do Prado — Foto: O Globo,Alesp e Secom/SP

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GERADO EM: 29/06/2026 - 00:54

Disputa ao Senado em SP: Marina e Tebet ampliam alianças; direita aposta em segurança

Os pré-candidatos ao Senado por São Paulo,Marina Silva e Simone Tebet,buscam ampliar alianças para a esquerda,enquanto a direita,liderada por Tarcísio de Freitas,aposta em nomes como Guilherme Derrite e André do Prado. Marina foca em jovens e mulheres,e Tebet em empresários paulistas. A direita se concentra em segurança pública e antipetismo,com Ricardo Salles correndo por fora,enfrentando resistências internas.

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Com a definição das ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) como pré-candidatas ao Senado por São Paulo,na chapa de Fernando Haddad (PT),a esquerda tenta emplacar,pela primeira vez numa mesma eleição,dois nomes na Casa Legislativa,com uma estratégia que inclui desde a nacionalização da campanha até a tentativa de ampliar alianças difíceis para o PT no estado. O anúncio ocorreu nesta quinta-feira (25),após uma reunião com o presidente Lula selar o destino de Márcio França (PSB) como candidato a vice-governador na chapa.

Já na direita,o grupo político do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) apresenta como candidatos o deputado federal Guilherme Derrite (PP),ex-secretário estadual de Segurança Pública e próximo do senador Flávio Bolsonaro,e André do Prado (PL),presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp),que ganhou projeção ao garantir a aprovação de projetos de interesse do Executivo. Ricardo Salles (Novo),deputado federal e ex-ministro no governo de Jair Bolsonaro,tenta ganhar a cadeira de modo independente.

Marina Silva,conhecida por seu trabalho como ministra do Meio Ambiente,deve tentar alavancar sua candidatura ampliando sua área de atuação para outros temas. Aliados já mapearam três grupos nos quais ela se sai bem: jovens,mulheres de mais de 45 anos e evangélicos. Correligionários dizem que a pauta ambiental estará presente,mas não será a única,pois deve disputar a atenção com assuntos nacionais,tentando convencer o eleitor de que ela é “uma figura importante para o Brasil no Senado”.

Simone Tebet,por sua vez,tem o desafio de mostrar sua conexão com o estado de São Paulo,já que a ex-ministra do Planejamento é natural de Mato Grosso do Sul,estado onde fez sua carreira política e pelo qual foi eleita senadora por dois mandatos. Essa missão já vem sendo endereçada nas propagandas partidárias do PSB que estão sendo transmitidas na TV nas últimas semanas,nas quais ela afirma que quer colocar sua experiência à disposição dos paulistas. Além disso,a presença de duas mulheres na chapa deve ser explorada por Haddad para antagonizar com Tarcísio,que não tem nenhuma representante feminina em seu primeiro escalão eleitoral.

Da esq para dir: Márcio França,Simone Tebet,Lula,Fernando Haddad e Geraldo Alckmin — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência

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Com o nome mais consolidado desde março,Tebet foi a única que começou a fazer eventos de pré-campanha ao lado de Haddad e,na semana passada,os dois cumpriram agendas juntos em Campinas e Santa Bárbara D’Oeste,no interior do estado. Segundo aliados,a candidata tem potencial de conversar com empresários paulistas,a fim de reduzir a resistência a Haddad e a Lula. Da mesma forma,pela experiência no Ministério do Planejamento,ela reforça o discurso de que várias obras na propaganda de Tarcísio foram bancadas com recursos federais do BNDES e da Caixa.

Na direita,campanha adiantada

Na direita,como a chapa já estava definida,a rota já está traçada há mais tempo — já houve três eventos de lançamento das pré-candidaturas ao Senado,nos quais Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas participaram e deram ares de campanha eleitoral antecipada.

André do Prado,presidente da Alesp,pretende continuar “colando” no governador,como já tem feito ao longo do mandato,e tem a missão de rodar o interior para fazer interlocução com prefeitos. Alguns gestores municipais criticaram,nos bastidores,a atenção dada pelo Palácio dos Bandeirantes,algo que poderia trazer ruídos num momento em que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB),ex-governador do estado,além do próprio França,entrassem no jogo.

A ideia,segundo Prado,é focar no “municipalismo”. O deputado tem o desafio de se equilibrar na defesa dessas pautas locais,pela qual construiu toda a sua trajetória política com auxílio do presidente do PL,Valdemar Costa Neto,com a necessidade de acenar a pautas mais ideológicas e escantear Salles na disputa. O adversário do Novo tem boa interlocução com Derrite e já manifestou a intenção de usar o palanque para atacar Prado,e não o seu companheiro de chapa.

Isso porque,ao ser anunciado por Eduardo Bolsonaro (PL) como pré-candidato ao Senado,ele gerou uma onda de insatisfação entre bolsonaristas,que apostavam em outros nomes como possíveis candidatos ao Senado,como o deputado federal Mario Frias (PL) ou o vice-prefeito da capital,Ricardo Mello Araújo (PL). Em seus discursos,procura acalmar os ânimos dizendo que vai "honrar" as pautas da direita na ausência do filho de Bolsonaro,condenado pelo STF,caso seja eleito.

O pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL),junto ao governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e os pré-candidatos ao Senado por SP André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP)ao Senado por São Paulo — Foto: Vittor Sales/Divulgação

Diferentemente da esquerda,que vê um cenário de maior facilidade na Região Metropolitana e mais desafios no interior,a direita já trabalha com a missão de reduzir as dificuldades na Grande São Paulo,que tende a votar mais a favor do PT e de partidos mais progressistas nos últimos pleitos. Por isso,tanto para Prado quanto para Tarcísio,o prefeito da capital,Ricardo Nunes (MDB),é visto como um ativo,e já se colocou à disposição dos dois para tentar alavancar suas candidaturas na cidade,especialmente com enfoque em entregas nas regiões mais periféricas.

Guilherme Derrite,vai apostar na pauta da segurança pública e cumpre a cota mais ideológica da chapa da direita. Ele vem explorando mais parceria com Flávio,ecoando nas redes sociais e em seus discursos as ações do presidenciável,desde a relação com os Estados Unidos até as críticas mais diretas a Lula e à esquerda. Derrite,cujo entorno havia sinalizado para uma posição mais centrista quando ainda existia a chance de tentar o governo na ausência de Tarcísio,aposta agora todas as fichas num tom mais agressivo contra Lula e Haddad.

Correndo por fora,Ricardo Salles se coloca como pré-candidato ao Senado mesmo sem ter conseguido o apoio da família Bolsonaro. Ele foi um dos principais críticos da escolha de André do Prado,e chegou a acusar Eduardo Bolsonaro de ter "vendido a vaga" para o deputado em acordo com Valdemar Costa Neto.

Correndo por fora

Salles pretende trabalhar com o antipetismo,com o discurso de que o PT não pode controlar as Casas Legislativas,e investir contra Prado para ganhar adeptos na direita,alegando que ele "traz consigo o DNA dos escândalos do Centrão". Ele considera,por outro lado,Derrite "um amigo" que será tratado "com a dignidade de alguém que está no mesmo campo político" nos debates,em suas palavras.

— Os eleitores da centro-direita não estão só cheios da maneira de o PT governar,da visão de mundo errada que o PT tem. Ele também está cheio da corrupção,do aparelhamento estatal,de todos esses desvios de condutas. E o Centrão é a personificação de todos esses desvios — disse.

Ainda que haja um pacto de não agressão com Derrite,o mesmo não pode ser garantido por parte da família Bolsonaro. Salles recebeu uma reprimenda pública de Eduardo,que mora nos EUA,depois de acusá-lo de receber dinheiro em troca do apoio a Prado. Em vídeo publicado nas redes sociais,o filho “03” do ex-presidente disse que o antigo colega “está virando meme” por conta da “sua conduta de biruta de vento político”.

Salles foi contra a indicação do senador como principal adversário de Lula na eleição presidencial,situação que piora com a descoberta do pedido de dinheiro ao dono do Banco Master,Daniel Vorcaro,acusado de liderar um esquema bilionário de fraude financeira,fatos que ele considera “muito graves”. Essa ruptura pode abrir de vez o flanco bolsonarista contra ele,ainda que o Novo esteja negociando um acordo informal com Tarcísio ao governo do estado.

Além de Salles,o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade) se apresenta como pré-candidato ao Senado. Ele foi o relator do PL da Anistia,posteriormente transformado em dosimetria das penas dos envolvidos no 8 de Janeiro. A matéria beneficiou o ex-presidente Jair Bolsonaro com redução de tempo de detenção,mas foi alvo de críticas de aliados do ex-presidente por não livrá-lo da cadeia. Bolsonaro cumpre,atualmente,prisão domiciliar.

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