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Presidente Lula participa de reunião ministerial no Palácio do Planalto — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

RESUMO

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GERADO EM: 03/06/2026 - 22:22

Polarização Política e Alianças Internacionais Marcam Debate no Brasil

A discussão sobre "traição da pátria" e a crítica dos EUA ao Pix ganharam destaque no cenário político brasileiro. Enquanto bolsonaristas criticam a globalização,mas se alinham aos EUA,petistas são vistos como opositores,apoiando países como China e Rússia. Lula enfrenta desafios políticos,mas permanece forte devido à sua liderança,enquanto Flávio Bolsonaro tenta se afirmar como sucessor,lidando com erros e a sombra do pai. A polarização e as alianças internacionais continuam a influenciar o debate eleitoral.

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A questão de “traição da pátria” volta e meia entra na discussão política porque a globalização coloca quase diariamente diante dos líderes de governos questões delicadas que não se limitam mais a seus países,mas à geoeconomia expandida. Os bolsonaristas são críticos da globalização,mas se colocam à disposição do governo dos Estados Unidos na maioria das situações. O mesmo acontece com o próprio Trump: assumiu o governo dizendo que não meteria o país em novas guerras,mas só faz isso. A globalização que tanto critica é a razão de acionar a metralhadora giratória para todos os lados.

Os petistas,por seu lado,sempre praticaram política externa tendente a apoiar governos de esquerda,ou que têm divergências com os Estados Unidos,como China e Rússia,e são criticados por isso,assim como os bolsonaristas são acusados de submissão ao governo Trump. A Rússia há muito tempo deixou de ser comunista,mas carrega em seu DNA a oposição aos Estados Unidos,que deixou de ser ideológica para ser uma disputa do poder globalizado. O secretário de Estado americano,Marco Rubio,acha que o governo brasileiro carrega no DNA a oposição aos Estados Unidos e nos compara com países esquerdistas como Venezuela,Cuba e Nicarágua.

A comparação é exagerada,porque os governos petistas já tiveram a veleidade de querer dominar as instituições nacionais para controlá-las ideologicamente,mas encontraram mais resistências do que esperavam,mesmo no primeiro mandato de Lula,quando ele controlava o Congresso com o mensalão. Hoje,querem o poder pelo poder e estão cada vez mais longe dele. A direita brasileira detém o controle do Congresso,e o PT tem o maior líder populista da História recente,mas é fraco como partido político e domina apenas no Nordeste,mesmo assim seu poder está em decadência. O que o salva é o próprio Lula,por isso a hipótese de ele desistir da candidatura,que já foi uma possibilidade,está descartada.

Bolsonaro,aparentemente,tem mais poder de fogo preso do que Lula teve quando esteve na mesma situação. A transferência de votos do pai para o filho Flávio foi surpreendente. O mesmo não aconteceu com Fernando Haddad quando substituiu Lula na disputa presidencial. Com máscara de Lula e tudo,não foi páreo para Bolsonaro. Não é possível medir hoje o que aconteceria se Bolsonaro escolhesse o governador de São Paulo,Tarcísio de Freitas,como seu sucessor,mas ele não quis arriscar e pôs na pista um candidato sangue do seu sangue,para que ninguém tivesse dúvidas de que era ele quem disputaria contra Lula.

Até agora Flávio tem mostrado resiliência,mas também capacidade infinita de cometer erros. A resiliência deve-se ao sobrenome,os erros também,pois a família não parece ter capacidade de conter arroubos e tem estratégias que soam estranhas. Mas,sobretudo,tem uma história de ligações com milicianos e outros tipos que inevitavelmente será explorada na campanha. Lula ganhou de presente o tema da “traição da pátria” e os ataques do governo dos Estados Unidos ao Pix,que é coisa nossa e,estranhamente,o clã Bolsonaro não explorou na campanha eleitoral passada. Tardiamente,Flávio tenta resgatar o tema,já assumido por Lula.

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Assim como Bolsonaro pai teve no economista Paulo Guedes uma chave para entrar na classe financeira e empresarial do país,Flávio tem ainda essa carta na manga se encontrar um economista liberal de nome reconhecido que aceite participar de sua campanha. O eleitor independente,nossos swing voters tupiniquins,teme que Lula,ao atingir seu quarto mandato,radicalize em suas posições esquerdistas. Mas teme também que Flávio submeta o país ao controle abusivo dos Estados Unidos governado por Trump.

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