
Juan vai para sua terceira Copa do Mundo com a seleção,agora como coordenador — Foto: Alexandre Cassiano
GERADO EM: 04/06/2026 - 22:38
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Dos itens que Juan guarda com mais carinho de seu período com a camisa da seleção,um é menos previsível: um boné,dado aos atletas a cada convocação. Hoje ele não precisa mais ser convocado,serve à Amarelinha de forma permanente,como membro da comissão. Mas carrega a experiência de quem tantas vezes ganhou aquele brinde tão singelo e simbólico. Às vésperas de participar de sua terceira Copa,agora como coordenador,o ex-zagueiro já não sente mais ansiedade. Mas vive a expectativa de,assim como os jogadores,conquistar o título que falta em seu currículo.
— Quando você pergunta para a maioria dos jogadores,principalmente aqueles que não ganharam,eles trocariam qualquer coisa pela Copa do Mundo. Eu tive duas oportunidades com a seleção brasileira,que está sempre entre as favoritas. Então,é um título que sempre lamento de não ter ganho — conta ao GLOBO.
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Ele mantém o mesmo estilo calmo e ponderado dos tempos de jogador. Até por isso,lida bem com a nova possibilidade que a vida lhe dá de participar de uma Copa. Mas,quando se depara com os torcedores nas ruas e vê todos lhe falarem a mesma coisa (“traz o hexa”),tem noção do tamanho da responsabilidade e do desafio.
— Ansioso,não. Na verdade,é um prazer,uma honra. A gente sabe que não é fácil ser titular de Copa como jogador. Mas também não é fácil disputar uma fora dos campos — reflete.

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Proteger a área brasileira já não é mais sua função. Hoje suas atribuições incluem observação e análise dos jogadores durante o período em que estão com seus times,manter diálogo com os clubes para troca de informações e auxílio nos treinamentos.
Quando o técnico Carlo Ancelotti assumiu o comando,há um ano,Juan foi importante no processo de ajudá-lo a entender os processos da seleção e a conhecer os jogadores,principalmente porque o italiano já precisava fazer uma convocação. Hoje,continua dando auxílio em dúvidas pontuais sobre os atletas.
— Ele é um treinador que,no dia a dia,deixa a gente sempre tranquilo para participar e agregar. A gente fala muito sobre os jogadores,o momento deles e os jogos que a gente vê. A gente troca informações também sobre algumas dúvidas que ele possa ter sobre as características de algum atleta específico.

O ex-zagueiro Juan,coordenador técnico da seleção brasileira — Foto: Alexandre Cassiano
Apesar de ainda novo na atual carreira,Juan já tem no currículo parcerias com treinadores de peso e a fama de saber conquistar sua confiança. No Flamengo,onde ocupava o cargo de gerente,era o único membro da comissão permanente do clube que acompanhava a metodologia de trabalho de Jorge Jesus. Também lá,cativou Dorival Junior a ponto de ter sido indicado por ele para acompanhá-lo na seleção.
— Eu sempre tive muito claro na minha cabeça que eu não seria treinador — admite o ex-zagueiro,que atribui ao Flamengo sua rápida adaptação. — Queria encontrar alguma função que me preenchesse e na qual eu pudesse também estar perto do campo. Depois que voltei ao Flamengo (em 2016),comecei a acelerar os cursos e as licenças. Lá,tinha a possibilidade de encerrar a carreira como jogador e começar a trabalhar. E,no Flamengo,tudo o que você aprende nos cursos tem que duplicar para pôr em prática. Um espaço de tempo curto lá me deu uma experiência grande,porque acontecem muitas coisas.
Juan levou consigo para a seleção lições do Flamengo,assim como das Copas de que participou. Das duas eliminações (2006 e 2010),ele considera a segunda a mais doída.
— A gente fez uma Copa mais regular do que 2006,a nível de atuações. E um primeiro tempo em que tivemos domínio,jogamos bem. Praticamente em 10 minutos perdemos o controle — diz,referindo-se à derrota de virada para a Holanda. — Copa do Mundo realmente é muito curta. Tudo é muito rápido,às vezes é difícil reverter. São essas experiências que procuro trazer para os jogadores novos: que existe um momento na Copa em que seu erro tem que ser muito baixo,porque a chance de recuperação é menor.
Se o título mundial escapou ali,vieram dois da Copa América (2004 e 2007) e da Copa das Confederações (2005 e 2009). Com 79 jogos pela seleção,grande parte deles ao lado de Lúcio,Juan verá de fora do campo a área brasileira ser protegida por Marquinhos e Gabriel Magalhães. E não tem dúvidas sobre em qual dos dois mais se reconhece.
— Pelo nosso biotipo,o Marquinhos se assemelha mais comigo. É menos físico do que o seu companheiro de zaga — analisa.
E é justamente Marquinhos que pode tomar uma marca até hoje pertencente a Juan com a Amarelinha. Os dois e Thiago Silva são os zagueiros com mais gols marcados pela seleção: sete. Mas o atual camisa 4 terá a Copa para se isolar.
— Torço muito para que ele ultrapasse,que esteja muito inspirado na Copa.
