Barulho, estacionamento irregular, multas: disputa pelo Vale do Anhangabaú opõe prefeitura e concessionária em SP

Virada Cultural no Vale do Anhangabaú — Foto: Edson Lopes Jr/Divulgação/Prefeitura de SP RESUMOSem tempo? Ferramenta de IA resume para você

Notícias Internacionais Apr 23, 2026 IDOPRESS

Virada Cultural no Vale do Anhangabaú — Foto: Edson Lopes Jr/Divulgação/Prefeitura de SP

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GERADO EM: 22/04/2026 - 20:11

Conflito entre Prefeitura de SP e Concessionária no Vale do Anhangabaú Escala com Multas e Denúncias

A disputa entre a Prefeitura de São Paulo e a concessionária Viva o Vale pelo Vale do Anhangabaú intensificou-se devido a infrações como barulho excessivo e estacionamentos irregulares. A prefeitura iniciou um processo de caducidade da concessão,enquanto a concessionária se defende,alegando não haver falhas contratuais reiteradas. O caso inclui multas significativas e uma denúncia de estacionamento ilegal. A empresa busca uma solução consensual,mas enfrenta resistência municipal.

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Shows que avançam pela madrugada,criação de estacionamentos irregulares e um histórico de mais de 30 multas. A insatisfação da Prefeitura de São Paulo com a gestão da concessionária Viva o Vale no Anhangabaú é pública e levou à abertura de um processo,na última quinta-feira,para romper o contrato de concessão com a empresa. Responsável pela gestão do espaço desde 2021,a concessionária apresentou ontem sua contestação,na qual questiona os fundamentos do processo e pleiteia o reequilíbrio econômico do acordo.

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Sob sua gestão,o local — reconfigurado após a requalificação urbanística que custou R$ 105 milhões aos cofres municipais — passou a se consolidar como palco de shows e eventos,uma das principais fontes de receita da empresa. Ao mesmo tempo,acumulou críticas por episódios recorrentes de desrespeito ao Programa de Silêncio Urbano (Psiu),que regula a poluição sonora na capital,além do impacto na circulação de pedestres causado pela instalação frequente de tapumes para a realização de eventos,travando partes do Anhangabaú.

Como mostrou O GLOBO em junho,a “guerra do barulho” já era um ponto de atrito na região. As festas,que começaram a se intensificar no fim de 2024,deixavam moradores inconformados com o som e as luzes que avançavam noite adentro e invadiam apartamentos a mais de um quilômetro de distância. Quem mora na região chegou a organizar um abaixo-assinado para tentar restringir os eventos. Em uma tentativa de conter os ânimos,a prefeitura passou a limitar o horário das atividades até as 23h.

Gabriel Lourandes,de 25 anos,mora na Avenida São João,a cerca de 200 metros do Vale do Anhangabaú,e diz ao GLOBO que além do barulho,a montagem dos eventos causa transtorno em sua rotina.

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— Às vezes,a montagem de palco de uma festa que é no sábado começa na quarta-feira,botando tapume e cercando até 70% do Vale,o que acaba por limitar o uso do espaço,que é vivo no dia a dia — comenta.

Felipe de Lima,de 26 anos,é frequentador das festas do Vale do Anhangabaú e fala sobre a organização dos eventos ao longo dos anos.

Painel de LED em evento no Vale do Anhangabaú,em 2025 — Foto: Felipe de Lima / Arquivo Pessoal

— Os eventos estão certamente maiores de uns anos para cá,eles têm investido cada vez mais em estruturas de grande porte. Um exemplo foi a Boma,em 2025,que contou com um painel de LED 360°,circular,instalado no centro do Vale. Mas em alguns eventos eles reduzem o volume do som e até encerram antecipadamente — relata.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB),que na época chegou a defender a concessão e disse “desconhecer” a presença de moradores no perímetro do Anhangabaú,mudou de posição e passou a criticar o consórcio privado — formado por sócios ligados à WTorre,empresa responsável pelo Allianz Parque. Segundo o prefeito,já há outros interessados na administração do espaço.

— Eu já estive reunido com os responsáveis pela concessão e relatei que não estamos tendo uma relação boa nem para eles nem para a Prefeitura de São Paulo. Eles já foram notificados sobre a caducidade,esse processo já está em andamento,e temos conversado com outros interessados para assumir o espaço,ou,alternativamente,a própria prefeitura fará a gestão — disse Nunes,em entrevista coletiva.

Em nota sobre as festas e eventos pela madrugada,a empresa adotou tom defensivo e se eximiu de responsabilidade. “Desde dezembro,não há operação de programações no período noturno ou de madrugada,sendo que a interrupção dessas atividades decorreu de bloqueio imposto pela própria prefeitura,e não de vedação contratual,uma vez que o contrato não restringe esse tipo de evento”,disse.

Multas de mais de R$ 1,4 milhão

Atualmente,existem 32 processos administrativos de apuração de penalidades contra a concessionária,que somam mais de R$ 1,4 milhão em multas já aplicadas. As infrações identificadas pela prefeitura se concentram em três eixos: falhas operacionais,uso irregular do espaço público e exploração comercial fora dos parâmetros contratuais.

Vale do Anhangabaú,no Centro de São Paulo: requalificado com investimento público,o espaço hoje é alvo de disputa entre a Prefeitura e a concessionária responsável pela gestão,em meio a críticas sobre eventos,uso comercial e cumprimento do contrato — Foto: Maria Isabel /O Globo

Entre os casos mais emblemáticos está a implantação tardia do sistema de monitoramento do espaço,que gerou uma multa de cerca de R$ 133 mil. Também há registros recorrentes de problemas na manutenção e zeladoria do Anhangabaú,com notificações por conservação inadequada e descumprimento de padrões mínimos exigidos no contrato.

Ao contestar a caducidade,a concessionária também afirmou que está aberta a negociar alternativas consensuais à rescisão contratual. A empresa informou que já apresentou defesa formal à prefeitura,na qual sustenta não haver falhas contratuais reiteradas.

“A caducidade constitui medida extrema,que demanda a garantia do contraditório e da ampla defesa”,afirma a concessionária em nota,citando que tanto a legislação vigente quanto o próprio contrato impõem “requisitos procedimentais rigorosos” antes que essa medida possa ser adotada. A empresa diz ter protocolado resposta formal em 9 de abril,mesma data em que a prefeitura anunciou o início do processo,respondendo “a todos os questionamentos”.

Gota d’água

Apesar de o Executivo municipal afirmar que a notificação de caducidade foi feita em março,a gota d’água na relação ocorreu este mês,quando o vereador Nabil Bonduki (PT) denunciou a instalação de um estacionamento irregular em área pública sob o Viaduto do Chá — praticamente ao lado do próprio prédio da prefeitura.

Em 8 de abril,o vereador publicou um vídeo denunciando a atividade. Nas imagens,aparece uma empresa identificada como Brasil Park cobrando R$ 20 por hora de estacionamento,com adicional de R$ 10 por hora extra ou R$ 50 por 12 horas de permanência. A estrutura foi desmontada poucas horas após a denúncia.

Ainda,conforme a denúncia,a companhia já havia enviado à prefeitura,em agosto de 2025,um projeto para implementar um estacionamento com capacidade para 333 veículos. Pelo projeto,a área total de concessão do Anhangabaú,de 43 mil metros quadrados,teria 81% do espaço usado para estacionamento.

“A implantação do Projeto de Estacionamentos do Vale do Anhangabaú,proporcionará diversas vantagens ao usuário,incluindo maior segurança,melhor fluxo de trânsito e mais acessibilidade para visitantes”,diz trecho da proposta da empresa ligada à WTorre.

Agora,diz o vereador,a intenção é acionar o Ministério Público de São Paulo pedindo o cancelamento da concessão e a devolução do espaço à gestão municipal. Segundo o parlamentar,que é arquiteto e urbanista,ao ceder o espaço a prefeitura enquadrou o projeto em um dispositivo da Lei de Desestatização que autoriza a concessão de “baixos de viadutos”.

Embora parte da área esteja sob o Viaduto do Chá,o contrato abrange uma extensão muito mais ampla do espaço público,incluindo trechos que avançam por centenas de metros além da estrutura e alcançam áreas como a Avenida São João.

— A concessão do Anhangabaú é justificada por estar debaixo do Viaduto do Chá. O que é inadmissível,pois o perímetro vai até centenas de metros de distância do viaduto e inclui mais de 200 metros da Avenida São João — afirmou.

A Secretaria Municipal das Subprefeituras informou que notificou a Viva o Vale por infração contratual,apreendendo gradis,guarda-sóis e demais equipamentos utilizados no estacionamento. A pasta destacou que a operação foi encerrada imediatamente por não ter as licenças necessárias e por violar cláusulas do contrato de concessão.

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