
Robô desenvolvido por pesquisadores do MIT emerge da água e decola usando apenas o bater das asas,sem hélices ou sistemas externos de lançamento. O protótipo foi inspirado em aves mergulhadoras e pode ser usado no monitoramento de ambientes marinhos — Foto: Reprodição
GERADO EM: 20/07/2026 - 09:29
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Um robô do tamanho aproximado de um pássaro,desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT),conseguiu um feito inédito: nadar debaixo d'água,emergir e decolar usando apenas o movimento das asas. Segundo a equipe responsável pelo projeto,é a primeira máquina desse porte capaz de realizar a transição entre os dois ambientes sem recorrer a hélices,rotores ou sistemas externos de lançamento. O estudo foi publicado na revista Science.
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Batizado de FAAV (Flapping-wing Aerial-Aquatic Vehicle),o robô foi criado em colaboração com pesquisadores da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL),na Suíça. O projeto levou cerca de dois anos para ser desenvolvido e foi inspirado no comportamento de aves mergulhadoras,como papagaios-do-mar e martins-pescadores,que utilizam as asas tanto para voar quanto para se locomover na água.
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Para reproduzir esse movimento,os engenheiros analisaram dados de diferentes espécies e identificaram um padrão na frequência de batimento das asas. Enquanto no ar aves de pequeno porte chegam a bater as asas cerca de dez vezes por segundo,debaixo d'água esse ritmo cai para aproximadamente quatro vezes por segundo,devido à maior resistência do meio líquido. Essas informações serviram de base para o desenvolvimento do mecanismo do robô.
O protótipo pesa menos de 300 gramas e abriga,na estrutura central,uma bateria e um motor elétrico impermeabilizado responsável por movimentar as asas. Na parte traseira,uma pequena cauda motorizada altera a inclinação do corpo durante mergulhos e decolagens. As asas são revestidas por um material hidrofóbico,que repele a água e facilita a saída da superfície.
Os pesquisadores também desenvolveram conjuntos de asas com diferentes envergaduras para encontrar o melhor equilíbrio entre desempenho na água e no ar. Durante os testes,verificaram que asas muito flexíveis dificultavam o voo,enquanto modelos excessivamente rígidos aumentavam o arrasto durante a natação.
Os experimentos começaram em um tanque de testes e depois foram levados ao Lago de Genebra,na Suíça. O robô era submerso a cerca de meio metro de profundidade e precisava subir até a superfície,romper a tensão da água e iniciar o voo sem qualquer impulso externo.
Nos testes,o FAAV atingiu velocidade próxima de um metro por segundo debaixo d'água e cerca de seis metros por segundo durante o voo,desempenho comparável ao de algumas aves mergulhadoras de pequeno porte.
Segundo os pesquisadores,o principal objetivo é desenvolver uma plataforma de baixo custo para monitoramento ambiental. A expectativa é que robôs desse tipo possam sobrevoar áreas oceânicas,mergulhar para coletar dados ou amostras e retornar ao ar repetidas vezes,reduzindo a necessidade de embarcações de pesquisa.
Entre as aplicações previstas estão o monitoramento da qualidade da água,a inspeção de regiões próximas a plataformas de gelo,a coleta de amostras em áreas contaminadas e estudos sobre a fauna marinha em locais de difícil acesso ou considerados perigosos para equipes humanas.
A próxima etapa do projeto prevê o desenvolvimento de asas capazes de girar durante o movimento,permitindo manobras mais precisas. A equipe também pretende testar o robô em condições mais severas,como ventos fortes e mar agitado,para avaliar seu desempenho em cenários próximos aos encontrados em operações reais.
