Refrigerante zero: mocinho ou vilão?

Notícias de destino Jun 27, 2026 IDOPRESS

No refrigerante zero,açúcar é substituído por substâncias que enganam o paladar — Foto: Freepik

RESUMO

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GERADO EM: 26/06/2026 - 21:16

"Consumo de Refrigerantes Zero Açúcar Cresce 30% no Brasil em 2024"

O consumo de refrigerantes zero açúcar aumentou 30% no Brasil em 2024,refletindo mudanças nos hábitos alimentares. Embora sejam uma alternativa para reduzir calorias e beneficiem diabéticos,há preocupações sobre adoçantes artificiais e seus efeitos na microbiota intestinal e metabolismo. Estudos indicam que o consumo frequente pode levar a ganho de peso e alterações na sensibilidade à insulina.

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Zero açúcar,zero calorias,zero impacto. Será que é isso mesmo? Um discurso que soa perfeito,mas é realmente tão simples assim?

O refrigerante zero acabou se tornando um símbolo da nova geração que busca prazer sem se sentir culpado ou responsabilizado. Em todos os lugares e horários,vem ocupando espaços daquele que antes era o “tradicional”.

No Brasil,em 2024 o consumo de refrigerantes zero aumentou em 30%,segundo os dados da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes. Isso reflete diretamente na mudança dos hábitos da população brasileira. Quer dizer que as pessoas estão,sim,cada vez mais atentas e preocupadas com o peso,saúde e alimentação,mas é preciso se atentar que saúde não é só o cuidado com doces e ausência de açúcar. O corpo humano vai além do cálculo de calorias.

Na criação do refrigerante zero,o açúcar foi trocado pelos adoçantes artificiais,que são chamados de não nutritivos. Por que esse nome? Por conta de proporcionarem sabor doce e não fornecerem calorias ou nutrientes. Diferentemente do açúcar comum,ou sacarose,processado pelo organismo para gerar energia,esses adoçantes têm o papel de enganar as papilas gustativas.

Os exemplos mais comuns e utilizados são: aspartames,sucralose e acessulfame de potássio,aprovados pelos órgãos reguladores como a Anvisa,a FDA e a EFSA,desde que estejam dentro das quantidades seguras.

Existem pontos positivos no refrigerante zero,principalmente para as pessoas que usam o refrigerante tradicional diariamente. A troca pode representar uma redução significativa nas calorias. Mas o ponto é que a aprovação regulatória não significa dizer que há ausência de debates científicos.

Em 2024 a revista Nutrients publicou um estudo que mostrou uma redução significativa na ingestão de calorias diárias nos indivíduos que fizeram a substituição do tradicional para o zero. Essa troca pode ajudar especialmente àqueles que estão em processo de emagrecimento.

Além disso,diabéticos e pré-diabéticos podem se beneficiar do seu uso,como uma alternativa mais segura em relação às bebidas açucaradas. Inclusive,a Sociedade Brasileira de Diabetes reconhece a função importante que esses refrigerantes desempenham nesse contexto.

Há ainda a saúde bucal. Por ser um açúcar não fermentável,o refrigerante zero não contribui tanto com cáries,por não formar o ambiente ácido que favorece seu surgimento.

Estudos recentes levantam perguntas importantes sobre o que acontece na microbiota intestinal. O intestino não participa só do processo de digestão. Ele é capaz de influenciar na imunidade,no metabolismo,na inflamação,na saciedade e também na saúde mental. Pesquisas sugerem que alguns adoçantes artificiais alteram esse equilíbrio.

Uma revisão publicada pela Universidade do Sul da Austrália mostrou associação entre consumo frequente de adoçantes artificiais e maior ganho de peso ao longo do tempo. Ainda que isso soe contraditório,existem hipóteses interessantes. Uma delas é o raciocínio “já economizei calorias no refrigerante,então posso exagerar no restante”. O famoso mecanismo de compensação.

A segunda hipótese é metabólica. O fato de sentir menos sabor doce faz com que o cérebro entenda que a glicose está chegando,ou seja,o organismo começa a preparar respostas hormonais,incluindo liberação de insulina. O problema é que com o refrigerante zero esse açúcar não vem,e a confusão metabólica repetida por anos contribui para alterações na sensibilidade à insulina em pessoas predispostas.

Quem tem uma alimentação equilibrada,faz exercícios físicos regularmente e ingere água suficiente provavelmente não vai ter impacto relevante por conta do refrigerante zero. Mas quando o consumo vira hábito diário,com múltiplas latas por dia e associado a uma alimentação rica em ultraprocessados,o cenário muda completamente.

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