
Os escombros do prédio da Amia após o atentado — Foto: Ali Burafi/AFP
GERADO EM: 16/07/2026 - 21:11
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Há datas que permanecem gravadas na memória coletiva não apenas pela dimensão da tragédia,mas pelo compromisso que impõem às gerações seguintes. O dia 18 de julho de 1994 é uma delas. Naquela manhã,um carro-bomba destruiu a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia),em Buenos Aires,matando 85 pessoas e ferindo mais de 300. Foi o maior atentado terrorista da história da América Latina.
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A tragédia da Amia somou-se a outra ferida ainda aberta na memória argentina: o atentado contra a Embaixada de Israel,ocorrido em 17 de março de 1992,que deixou 29 mortos e centenas de feridos. Juntos,esses ataques marcaram profundamente a história do país e de toda a região.
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Passados mais de 30 anos,o tempo não conseguiu cicatrizar essa ferida. Pelo contrário. A ausência de uma punição definitiva para os responsáveis mantém viva a sensação de que ainda há uma dívida com as vítimas,seus familiares e toda a sociedade. Não existe democracia plena quando um crime dessa magnitude permanece sem a devida responsabilização.


Os familiares das vítimas jamais desistiram. Transformaram a dor em perseverança e seguem lembrando ao mundo que a justiça não prescreve. A cada aniversário do atentado,renovam o compromisso de manter vivos os nomes,as histórias e os sonhos interrompidos naquele dia.
Guardar a memória da Amia não é uma causa exclusiva da comunidade judaica nem apenas da Argentina. É um compromisso de todos aqueles que acreditam na justiça,na democracia e na defesa da vida. Lembrar é uma forma de impedir que a barbárie encontre espaço para se repetir.
Vivemos em um continente marcado pela convivência entre diferentes povos,culturas e religiões. Brasil,Argentina e os demais países da região construíram suas sociedades valorizando a diversidade e o diálogo. Embora estejamos geograficamente distantes dos conflitos que hoje atingem o Oriente Médio,não podemos permanecer indiferentes ao sofrimento humano. Desejamos que a paz prevaleça,que vidas sejam preservadas e que as diferenças sejam resolvidas pela negociação,nunca pelo terrorismo ou pela violência.
Desde sua fundação,o Congresso Judaico Latino-Americano tem desempenhado um papel importante na preservação da memória,no combate ao antissemitismo,na promoção do diálogo e no fortalecimento dos direitos humanos. Sua atuação também representa uma contribuição permanente para iniciativas que promovam a convivência,a paz e a defesa dos valores democráticos.
Mais de três décadas depois,a mensagem continua atual. O terrorismo não pode ser relativizado. A impunidade não pode ser naturalizada. A memória não pode ser abandonada.
Lembrar a Amia é honrar 85 vidas interrompidas pela violência. É estar ao lado das famílias que seguem esperando por justiça. É defender que nenhum atentado fique sem resposta. É reafirmar que a América Latina deseja continuar sendo uma terra de paz,convivência e respeito entre os povos. Porque a memória preserva a dignidade das vítimas. A verdade fortalece a sociedade. E a justiça continua sendo o único caminho capaz de transformar uma tragédia em um compromisso permanente com a humanidade.
*Jack Terpins é presidente do Congresso Judaico Latino-Americano
