
O ex-presidente Jair Bolsonaro em sua casa,onde está em prisão domiciliar — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo/03-09-2025
GERADO EM: 22/06/2026 - 20:05
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prestará depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal nesta terça-feira,às 15h,no inquérito que investiga a apreensão de uma arma registrada em seu nome durante uma blitz realizada em Brasília na semana passada.
A oitiva ocorrerá na residência de Bolsonaro,onde ele cumpre prisão domiciliar,após autorização concedida pelo ministro Alexandre de Moraes,do Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Civil havia solicitado que o depoimento fosse realizado por videoconferência,mas o ministro determinou que os investigadores se deslocassem até o endereço do ex-presidente.
Na decisão,Moraes afirmou que a oitiva deve ocorrer presencialmente porque Bolsonaro está submetido a restrições que impedem o uso de meios de comunicação eletrônicos.
"A oitiva deverá ser realizada presencialmente,no endereço onde o depoente cumpre prisão domiciliar humanitária,uma vez que há restrição legal para uso de comunicações eletrônicas",escreveu o ministro.
O depoimento faz parte do inquérito aberto pela Polícia Civil após a apreensão de uma pistola Glock calibre 9 milímetros registrada em nome de Bolsonaro. A arma estava em um veículo conduzido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho,integrante da equipe de segurança do ex-presidente.
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Segundo a investigação,o armamento foi recolhido durante uma abordagem da Polícia Militar do Distrito Federal porque não estava acompanhada do Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF),documento exigido para o transporte da arma. Em depoimento prestado à polícia,o militar afirmou que a pistola estava sendo levada para manutenção e que seria posteriormente devolvida a Bolsonaro.
Ao autorizar a oitiva,Moraes também registrou que uma tentativa anterior de intimar pessoalmente o ex-presidente não foi concluída. Segundo ofício encaminhado ao STF,a equipe policial não conseguiu efetivar a intimação porque integrantes da escolta responsável pela segurança de Bolsonaro impediram o cumprimento do ato.
As informações produzidas no inquérito serão compartilhadas com o gabinete de Moraes,responsável pela execução penal do ex-presidente. Na quinta-feira,termina o prazo inicial de 90 dias da prisão domiciliar humanitária concedida pelo ministro do STF em março para que o ex-presidente se recuperasse de um quadro de broncopneumonia.
Na peça apresentada ao STF,a defesa de Bolsonaro afirmou que a equipe de segurança do ex-presidente retirou um item da arma de fogo que ele tinha em casa com o objetivo de torná-la inoperante. Os advogados afirmam que a medida foi adotada porque os medicamentos psiquiátricos que Bolsonaro toma afetam sua "cognição".
"Embora possuísse regularmente o armamento,as medicações psiquiátricas que vinham sendo ministradas ao Peticionário (Bolsonaro),capazes de afetar sua cognição — e que,inclusive,foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica —,levaram sua equipe de segurança,sem seu conhecimento prévio,a retirar o percussor da arma,tornando-a inoperante",diz a peça apresentada ao ministro Alexandre de Moraes,relator da trama golpista no STF.
Percussor é um componente que atua no disparo da arma de fogo. A defesa também negou haver irregularidades na posse,pelo ex-chefe do Executivo
Os advogados de Bolsonaro sustentam que,recentemente,o ex-presidente percebeu,pelo "simples acionamento do ferrolho e sem qualquer necessidade de disparo",que o mecanismo da pistola não estava funcionando regularmente. O ex-chefe do Executivo não conseguiu identificar a causa do problema e então entregou o armamento para um segundo-sargento do Exército,para que ele verificasse o ocorrido,sustentou a defesa.
