O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), o turco Fatih Birol, alertou hoje que levará "muito tempo" para retomar a normalidade, mesmo que o estreito de Ormuz fosse reaberto imediatamente, com riscos de inflação e desaceleração económica.

"Mesmo que o estreito de Ormuz fosse reaberto amanhã,levaria muito tempo até que voltássemos ao normal,porque há instalações de energia,petróleo e outras que foram gravemente danificadas",no golfo Pérsico,disse,em entrevista à rádio France Inter.
Questionado sobre o período de dois anos estimado como o tempo necessário para restaurar os níveis de atividade comercial pré-guerra nas instalações de energia daquela região,Birol reiterou a previsão,mas esclareceu que seria um processo gradual.
O líder da AIE -- organização criada em 1974,em resposta à primeira crise do petróleo e que reúne a maioria dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) -- insistiu que a crise atual é "a maior da história" em termos de energia porque afeta não só o fornecimento de petróleo,mas também de gás,fertilizantes e outros produtos petroquímicos.
"Isto vai desacelerar o crescimento económico e,quanto mais tempo durar,mais difícil será",continuou,antes de frisar que a crise vai afetar particularmente os países em desenvolvimento,que,em muitos casos,enfrentarão "uma espiral de dívidas" a pesar sobre as gerações futuras.
No relatório mensal sobre o mercado do petróleo,publicado em 14 de abril,a AIE alertou que a produção global de petróleo baixou 10,1 milhões de barris por dia (mb/d) em março devido à guerra no Médio Oriente,a maior queda da história.
O bloqueio do estreito de Ormuz resultou em perdas de 13 mb/d nas exportações de petróleo do golfo Pérsico,parcialmente compensadas pela utilização de reservas,que são cada vez menores,uma situação que levou a instituição a rever em baixa a previsão de procura de petróleo.
Birol afirmou que,"por enquanto,a Rússia está sair-se bem da crise",pois as suas receitas com petróleo dobraram em março,graças à alta dos preços e,em menor escala,ao aumento das suas exportações.
O mesmo responsável estimou que,"a longo prazo,as consequências desta crise vão levar a uma reconfiguração do mapa energético",como já aconteceu com o choque do petróleo de 1973,quando,por exemplo,muitos países optaram por construir centrais nucleares para substituir os hidrocarbonetos na produção de eletricidade.
