
As regiões Nordeste e Sudeste concentram mais de 80% do casos de acidentes por picada de escorpião no país — Foto: Divulgação/Instituto Butantan
GERADO EM: 10/06/2026 - 12:07
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Um estudo divulgado no fim de maio por pesquisadores do Instituto Butantan,da Universidade de São Paulo (USP),do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo acendeu um alerta para o avanço dos acidentes com escorpiões no Brasil. Publicada em outubro de 2025 na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases,a pesquisa identificou que o sul da Bahia,o norte de Minas Gerais e o noroeste do estado de São Paulo estão entre as regiões de maior risco para picadas de escorpião no país.
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A análise reuniu dados dos 5.570 municípios brasileiros entre 2012 e 2024 e registrou mais de 1,7 milhão de acidentes e 1.230 mortes no período. Segundo os pesquisadores,a taxa nacional de incidência saltou de 31 para 142 casos por 100 mil habitantes em 12 anos,um aumento de 349%. A principal hipótese é que fatores climáticos,ambientais,urbanos e sociais estejam favorecendo a proliferação dos animais,especialmente em áreas urbanizadas.
De acordo com o levantamento,as regiões Nordeste e Sudeste respondem por 87% dos casos registrados no país. Os maiores aglomerados de risco estão localizados em municípios da Bahia,Minas Gerais e São Paulo. No território paulista,o noroeste do estado aparece como a área mais crítica,favorecida pelas altas temperaturas e pela urbanização intensa,condições que facilitam a expansão do Tityus serrulatus,conhecido como escorpião-amarelo,principal responsável pelos acidentes no Brasil.
Minas Gerais se destaca não apenas pelo elevado número de ocorrências,mas também pelos óbitos,especialmente na porção norte do estado. O estudo ressalta que a maior parte das mortes por envenenamento escorpiônico no país ocorre entre crianças de até 9 anos.
Na Bahia,os pesquisadores observaram crescimento expressivo dos casos tanto na região sul quanto em municípios do norte do estado entre 2018 e 2024. Já no restante do Nordeste,estados como Pernambuco,Alagoas e Rio Grande do Norte também preocupam devido ao avanço dos acidentes em áreas urbanas. Em Alagoas,por exemplo,a incidência superou 270 casos por 100 mil habitantes.
O estudo aponta que as áreas de maior risco costumam apresentar temperaturas mais elevadas,menor volume de chuvas,menor cobertura vegetal e indicadores sociais mais vulneráveis. Os pesquisadores destacam ainda a grande capacidade de adaptação dos escorpiões ao ambiente urbano,especialmente de espécies como o Tityus serrulatus e o Tityus stigmurus,cujas fêmeas conseguem se reproduzir sem acasalamento,acelerando a colonização de novos ambientes.
Os acidentes também apresentam comportamento sazonal,com maior incidência entre setembro e dezembro,especialmente durante a primavera.
Diante desse cenário,especialistas recomendam evitar o acúmulo de lixo,entulho,folhas secas e materiais de construção,além de manter atenção a roupas e objetos deixados no chão,que podem servir de abrigo para os animais. Em caso de picada,a orientação é lavar o local com água e sabão,aplicar compressa morna e procurar atendimento médico imediatamente,sobretudo quando a vítima for uma criança. Nos quadros graves,o tratamento pode exigir a aplicação de soro antiescorpiônico,produzido pelo Instituto Butantan.
