
As 7 coisas que todas as mulheres devem saber sobre a saúde do coração. — Foto: Morgane Fadanelli/The New York Times
GERADO EM: 04/06/2026 - 14:39
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As doenças cardíacas matam mais mulheres do que todos os tipos de câncer combinados. Mas muitas mulheres acreditam que têm maior probabilidade de morrer de câncer,ou apenas de câncer de mama,segundo pesquisas. Isso não é tão surpreendente. A saúde cardíaca das mulheres foi negligenciada e pouco estudada por muito tempo.
Como resultado,os médicos às vezes têm dificuldade para diagnosticar problemas cardíacos que são mais comuns em mulheres. Os pesquisadores não têm clareza sobre o que causa algumas condições,tornando-as mais difíceis de prevenir. E muitas pacientes não sabem que os sintomas de infarto podem se manifestar de forma diferente nas mulheres,nem o que devem observar.
Mas,apesar dos desafios,há muito que as mulheres podem fazer para reduzir seu risco. Parte das recomendações é universal: homens e mulheres podem se beneficiar de uma alimentação saudável,da prática de exercícios físicos e do controle da pressão arterial,do colesterol e da glicose. Mas outras informações são específicas para cada sexo.
Abaixo,veja 7 coisas que as mulheres deveriam saber sobre seus corações.
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Hipertensão,colesterol alto,diabetes,tabagismo,sedentarismo e histórico familiar de doença cardíaca aumentam o risco tanto para homens quanto para mulheres. Mas as mulheres precisam considerar uma lista mais longa.
Aquelas que tiveram complicações na gravidez,como pré-eclâmpsia ou diabetes gestacional,têm maior probabilidade de desenvolver problemas cardíacos posteriormente. Mas as pacientes “não necessariamente pensam em dizer ao médico que tiveram uma gravidez,há 20 anos,afetada por pré-eclâmpsia,e muitos médicos não perguntam”,diz Anais Hausvater,codiretora do Programa de Cardio-Obstetrícia da NYU Langone Health,nos Estados Unidos.
A síndrome dos ovários policísticos,ou SOP,também está associada a um maior risco de doença cardíaca. O mesmo vale para lúpus e artrite reumatoide,doenças autoimunes muito mais comuns em mulheres. Além disso,mulheres que entram na menopausa antes dos 45 anos são especialmente vulneráveis.
Em grande parte porque o estrogênio ajuda a proteger o coração e os vasos sanguíneos,as mulheres tendem a desenvolver doenças cardíacas cerca de 10 anos mais tarde do que os homens. A menopausa é a principal transição: à medida que o estrogênio diminui,a pressão arterial e o colesterol tendem a aumentar,e as artérias tendem a se tornar menos elásticas,algo que surpreende muitas mulheres.
— Elas dizem: "Meu colesterol não era tão ruim aos 30 anos. Por que de repente está tão ruim? Ainda estou me exercitando. Estou comendo as mesmas coisas" — conta Tala Al-Talib,diretora médica da clínica cardiovascular Green Spring Station,da Johns Hopkins,também nos EUA.
Seu médico pode ajudá-la a encontrar a melhor estratégia para sua situação,seja por meio de mudanças no estilo de vida,medicamentos ou uma combinação dos dois.
Embora o risco das mulheres na pré-menopausa seja menor,ele não é zero. E o impacto da pressão alta e do colesterol elevado é cumulativo ao longo das décadas,portanto o que você faz aos 20 e 30 anos pode afetá-la mais tarde.
Médicos e pacientes frequentemente minimizam os sintomas de infarto nas mulheres porque eles nem sempre se apresentam como uma dor intensa e uma sensação de pressão esmagadora.
A dor no peito continua sendo o sintoma mais comum. Mas muitas mulheres a descrevem de forma diferente,como “uma pressão ou um peso,em vez dos homens,que às vezes simplesmente dizem ‘está doendo’”,afirma Natalie Bello,professora associada de cardiologia no Cedars-Sinai e diretora de saúde cardiovascular feminina e cardiologia no Atria Health and Research Institute,nos EUA.
E as mulheres têm maior probabilidade do que os homens de apresentar múltiplos sintomas,como falta de ar,náusea,tontura,dor na mandíbula,dor na parte superior das costas,suor frio ou fadiga incomum.
As mulheres também podem estar mais inclinadas a minimizar seus sintomas: aquelas que administram responsabilidades familiares frequentemente “colocam sua própria saúde em segundo plano ou encontram outras explicações para os sintomas”,diz Erica Spatz,diretora do Programa de Saúde Cardiovascular Preventiva da Faculdade de Medicina de Yale,nos EUA:
— Algumas mulheres também já tiveram a experiência de procurar atendimento por sintomas e serem dispensadas,e por isso relutam em procurar ajuda novamente.
Os infartos nos homens geralmente são causados por uma obstrução em uma artéria principal como resultado da doença arterial coronariana obstrutiva. Uma placa se rompe ou forma-se um coágulo sanguíneo,interrompendo o fluxo de sangue para o coração,o que leva a danos no músculo cardíaco.
Muitas mulheres também apresentam esse tipo de obstrução. Mas as mulheres também sofrem infartos não relacionados a essa doença com mais frequência do que os homens,e eles podem ser difíceis de diagnosticar e exigir tratamentos diferentes.
Por exemplo,as mulheres têm maior probabilidade do que os homens de apresentar doença microvascular coronariana,que afeta pequenos vasos sanguíneos,e também são mais propensas a espasmos das artérias coronárias,em que uma artéria se contrai periodicamente,explica Nupoor Narula,diretora do Programa de Saúde Cardíaca da Mulher da Weill Cornell Medicine,nos EUA. Ambas as condições podem causar infartos.
As mulheres também são desproporcionalmente suscetíveis à dissecção espontânea da artéria coronária,uma ruptura na parede de uma artéria especialmente comum após o parto. Ela pode levar a um infarto,e seus sintomas são semelhantes. E a cardiomiopatia de takotsubo,ou síndrome do coração partido,é uma forma reversível de insuficiência cardíaca em resposta a estresse intenso que ocorre principalmente em mulheres pós-menopausa.
Médicos de pronto-socorro às vezes concluem erroneamente que os sintomas de uma mulher não estão relacionados ao coração porque infartos atípicos nem sempre aparecem nos exames padrão. Por exemplo,uma angiografia comum,na qual um profissional injeta contraste nos vasos sanguíneos e realiza radiografias,pode não mostrar espasmos arteriais ou a obstrução de um pequeno vaso sanguíneo.
Se você for ao pronto-socorro com sintomas semelhantes aos de um infarto e sua angiografia estiver normal,é uma boa ideia consultar um cardiologista depois. O médico pode recomendar avaliações como PET scan,ressonância magnética cardíaca ou testes de função coronariana,dizem Narula e Spatz.
Mesmo um único episódio desses sintomas já é motivo para acompanhamento,orienta Nisha Parikh,diretora do Programa de Saúde Cardíaca da Mulher da Northwell Health,nos EUA. Muitas pacientes com angiografias aparentemente normais podem ter sofrido um infarto sem obstrução de uma grande artéria,disse ela,mas não recebem diagnóstico porque a tecnologia necessária para esses exames só recentemente começou a se tornar mais amplamente disponível.
A história do viés de gênero na pesquisa médica ainda afeta profundamente os cuidados de saúde,embora as pesquisas sobre a saúde das mulheres tenham aumentado nas últimas décadas.
Historicamente,as mulheres foram sub-representadas em estudos sobre medicamentos,tratamentos e dispositivos médicos,diz Narula. Os médicos não compreendem totalmente os efeitos dos hormônios sobre a saúde cardiovascular nem os impactos de longo prazo de determinadas complicações da gravidez.
As diretrizes padrão para o tratamento de doenças cardíacas baseiam-se,em grande parte,em estudos realizados há décadas,nos quais poucas participantes eram mulheres,a irma Sonia Tolani,codiretora do Columbia Women’s Heart Center,nos EUA.
Até mesmo os dispositivos médicos são projetados para homens. Muitas mulheres recebem stents otimizados para o tamanho das artérias masculinas,o que pode aumentar as complicações,diz Leslee Shaw,diretora do Blavatnik Family Women’s Health Research Institute,do Mount Sinai,no EUA.
Muitas mulheres que poderiam se beneficiar de medicamentos para pressão alta e colesterol elevado começam a tomá-los mais tarde do que deveriam. Às vezes,a razão é que seus próprios médicos se preocupam em prescrever medicamentos para mulheres em idade reprodutiva. Hausvater conta ver isso "o tempo todo".
Alguns desses medicamentos não são seguros durante a gravidez,mas isso não significa que nenhuma mulher em idade reprodutiva deva tomá-los. Mesmo para mulheres que desejam ter filhos,pode ser seguro — com orientação médica — interromper temporariamente um medicamento durante a gravidez,diz Spatz.
As mulheres também às vezes evitam discutir a saúde do coração porque temem julgamentos dos médicos sobre seu peso ou estilo de vida.
— Eu devolvo isso para nós,como sistema de saúde. Precisamos ser mais acolhedores com nossos pacientes e explicar como podemos ajudá-los,em vez de culpá-los — defende Bello.
