
Sindicato dos trabalhadores rodoviários da cidade quer o fim do pagamento em dinheiro nos coletivos — Foto: Rafael Timileyi Lopes
GERADO EM: 29/05/2026 - 19:29
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A decisão da prefeitura do Rio de Janeiro de extinguir o pagamento em dinheiro nos ônibus municipais reacendeu em Niterói um debate antigo defendido pelos rodoviários: o fim da circulação de dinheiro em espécie dentro dos coletivos da cidade. A proposta voltou a ser colocada em pauta pelo Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Passageiros de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac),que afirma defender a medida há pelo menos dez anos como forma de aumentar a segurança de motoristas e passageiros e ampliar o controle operacional do sistema de transporte público.
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Segundo o presidente do Sintronac,Rubens dos Santos Oliveira,o fim do pagamento de passagens em dinheiro reduziria um dos principais interesse de criminosos nos coletivos e,com isso,os assaltos. Ele afirma ainda que o modelo permitiria um acompanhamento mais preciso da operação das linhas.
— Desde que essa diretoria assumiu,há dez anos,defendemos essa proposta do fim da circulação de dinheiro nos ônibus. Isso ajuda a evitar assaltos e melhora o controle operacional do sistema. Tanto o poder concedente quanto as empresas conseguem acompanhar melhor quais linhas têm mais passageiros e quais precisam de remanejamento. O sindicato encaminhou essa proposta para todos os municípios da nossa base,além do estado,da Alerj e das câmaras municipais. Acho que já dá para fazer alguma coisa — afirma Rubens.
O dirigente sindical diz que o Sintronac apresentou formalmente a proposta aos 13 municípios da base de atuação da entidade,incluindo Niterói,São Gonçalo,Itaboraí,Maricá e cidades da Região dos Lagos. Segundo ele,o sindicato considera ter sido pioneiro na discussão sobre o tema.
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Atualmente,os ônibus municipais de Niterói aceitam pagamento em dinheiro e por meios eletrônicos,através do cartão Riocard Mais. O Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Setrerj),que representa os consórcios Transnit e Transoceânico,afirma que a prefeitura já possui controle total sobre as transações realizadas no sistema municipal.
Em nota,o Setrerj lembrou que os dados operacionais e financeiros das linhas podem ser acompanhados diariamente pelo município por meio de um painel de controle,incluindo informações sobre gratuidades,número de passageiros e arrecadação das empresas. A entidade ressaltou ainda que a eventual retirada do dinheiro em espécie dos coletivos é uma decisão administrativa que cabe exclusivamente à prefeitura de Niterói.
O sindicato patronal também destacou que o sistema atual permite diferentes formas de recarga do cartão Riocard Mais,incluindo lojas físicas,máquinas de autoatendimento,aplicativo e WhatsApp. Os créditos podem ser adquiridos com dinheiro,cartões de débito e crédito ou Pix.
Na capital fluminense,passageiros do Rio têm até o dia 28 de junho para utilizar dinheiro em espécie no pagamento da passagem nos coletivos municipais. A medida faz parte da implantação definitiva do sistema Jaé,novo modelo de bilhetagem digital adotado pela prefeitura.
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Com a mudança,os usuários passarão a utilizar exclusivamente cartões (Jaé e Riocard),QR Codes ou o aplicativo Jaé para embarcar nos ônibus municipais. A decisão chegou a ser questionada judicialmente pelo Procon-RJ,mas a 2ª Vara da Fazenda Pública manteve a validade da medida e negou o pedido para suspender a implantação do sistema digital.
Em nota,a prefeitura de Niterói informou que já dispõe de bilhetagem eletrônica em toda a frota de transporte público e que mais de 90% dos usuários utilizam meios eletrônicos de pagamento na cidade.
“Novos aprimoramentos no sistema de pagamento,sempre com base em dados e em diálogo com os atores envolvidos,podem ser adotados”,informou.
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A prefeitura afirmou,porém,ter preocupação com a população de baixa renda que utiliza dinheiro em espécie no dia a dia,especialmente pessoas sem acesso à rede bancária. “Qualquer caminho a ser adotado deverá assegurar a esses usuários alternativas de acesso ao sistema,de modo que ninguém seja excluído do transporte público em razão da forma de pagamento”,salientou. A administração municipal afirmou também que Niterói é “uma das cidades mais seguras da Região Metropolitana”.
De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP),Niterói registrou três roubos em coletivos entre janeiro e abril deste ano,contra nove ocorrências no mesmo período de 2025.
