
Roberto Salles e Fabio Passos disputam reitoria da UFF — Foto: Divulgação
GERADO EM: 22/05/2026 - 19:14
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A comunidade acadêmica da Universidade Federal Fluminense volta às urnas nesta terça e quarta-feira para definir quem comandará a instituição no quadriênio 2026-2030. O segundo turno da consulta eleitoral será disputado entre as chapas UFF Viva,liderada pelo ex-reitor Roberto Salles,encabeçada pelo atual vice-reitor,Fabio Passos.
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No primeiro turno,realizado nos dias 12 e 13 de maio,Roberto Salles,que tem a professora da Faculdade de Educação Luciana Freitas como vice,terminou na liderança,com 47,08% dos votos válidos,enquanto Fabio Passos,cuja vice é a coordenadora do curso de Medicina,Claudete Cardoso,recebeu 37,59% da preferência da comunidade acadêmica. A votação reúne estudantes,docentes e técnico-administrativos de todos os campi da universidade.
Professor do Instituto Biomédico e reitor da UFF entre 2006 e 2014,Roberto Salles defende como prioridades a redução da evasão estudantil,investimentos em permanência,sustentabilidade e modernização da universidade. Já Fabio Passos,professor da Escola de Engenharia e atual vice-reitor da instituição,destaca ações de inclusão,melhoria da gestão administrativa e ampliação das políticas de assistência estudantil implementadas nos últimos anos.
A seguir,confira as entrevistas feitas com as duas chapas concedidas pelos candidatos ao GLOBO.
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Como foi sua gestão e o que o motivou a concorrer ao cargo?
Fabio Passos: Sou professor da UFF desde 1989,fui pró-reitor de Extensão e estou como vice-reitor desde 2018,ao lado do professor Antonio Claudio. Recebemos a universidade em grave desequilíbrio orçamentário,com cerca de R$ 80 milhões em dívidas herdadas da gestão anterior,em um contexto de falta de financiamento das universidades federais. Fizemos uma profunda modernização administrativa,renegociamos contratos e conseguimos quitar essas dívidas. Hoje a universidade não tem mais débitos. Mesmo com pandemia,cortes orçamentários e um governo hostil às universidades,avançamos bastante. Entregamos ou encaminhamos obras importantes,como o prédio de Medicina em Macaé,o IACS do Gragoatá. O Cine Icaraí está sendo terminado,além de novos projetos em Rio das Ostras e Volta Redonda. Também avançamos em inclusão,permanência estudantil e políticas de cotas em bolsas acadêmicas. Minha decisão de disputar a reitoria se baseia nessa experiência de gestão em um período muito difícil.
Roberto Salles: A UFF vai completar 67 anos e cada reitor coloca um tijolo para fazer a universidade avançar. Nós nos candidatamos porque entendemos que nesses últimos 12 anos a universidade avançou pouco. Na nossa gestão,dobramos o tamanho da UFF com o Reuni,levamos a universidade para oito municípios e ampliamos muito os cursos de graduação. Plantamos as bases para esse crescimento. Mas ainda temos muitos desafios. Há problemas graves de evasão estudantil,obras que ficaram sem conclusão,dificuldades na assistência estudantil e necessidade de recomposição do orçamento. Deixamos seis obras encaminhadas e apenas três foram entregues em 12 anos. Queremos terminar o que ficou pendente e recolocar a universidade em um ciclo de crescimento e inovação.
Quais são as principais propostas da chapa?
Fabio Passos: Nosso programa é baseado nas pessoas. Entendemos que,quando as pessoas são cuidadas,a universidade funciona melhor. Queremos ampliar políticas de inclusão e permanência,melhorar a qualidade de vida de estudantes,docentes,técnicos e terceirizados,além de fortalecer o diálogo com a sociedade. Também queremos reduzir a burocracia enfrentada pelos pesquisadores. Vamos criar um escritório de projetos para auxiliar docentes na captação de recursos e gestão administrativa da pesquisa. Outro eixo importante é a descentralização de recursos para as unidades acadêmicas e a ampliação dos núcleos de acessibilidade em todos os campus.
Roberto Salles: A UFF não precisa crescer mais em tamanho,mas em qualidade. Precisamos diminuir a evasão estudantil,melhorar o ensino,investir em inteligência artificial,sustentabilidade,inovação e empreendedorismo. A universidade precisa se reinventar. Também queremos fortalecer a democracia interna,garantir transparência nas ações da reitoria e criar novas pró-reitorias voltadas para diversidade,inclusão e multicampia. Outro tema central será saúde mental,combate ao assédio moral e sexual e fortalecimento da assistência estudantil.
Quais os principais desafios da próxima gestão?
Fabio Passos: O maior desafio é orçamentário. Hoje,em termos reais,o orçamento da universidade é cerca de 50% menor do que em 2014. Isso afeta diretamente a permanência estudantil,infraestrutura e funcionamento dos campus. Precisamos continuar lutando pela recomposição do orçamento das universidades federais e buscar parcerias com governos,empresas e órgãos de fomento. Também temos que ampliar investimentos em alimentação,moradia e transporte para os estudantes.
Roberto Salles: O grande desafio é recompor o orçamento das universidades federais e garantir permanência estudantil. Precisamos buscar recursos junto ao governo federal,às agências de fomento e também por meio de emendas parlamentares. Queremos concluir obras importantes,renovar a frota de veículos da universidade,fortalecer projetos de extensão e melhorar a mobilidade estudantil. Também precisamos investir mais em saúde mental e no combate à evasão.
Qual UFF você pretende entregar ao final do mandato?
Fabio Passos: Queremos entregar uma universidade com mais excelência acadêmica,melhor qualidade na graduação e na pós-graduação,maior impacto internacional e mais inclusão. Uma universidade que seja a cara do Brasil. Também queremos entregar uma universidade com melhores condições de trabalho para docentes e técnicos,mais integrada à sociedade e comprometida com responsabilidade social.
Roberto Salles: Queremos entregar uma UFF melhor do que encontramos. Uma universidade com menos evasão,obras concluídas,melhor assistência estudantil e mais diálogo com a comunidade acadêmica. Também queremos avançar em mobilidade estudantil,saúde mental,sustentabilidade e ampliação da permanência.
Como ampliar políticas de permanência estudantil em parceria com os municípios?
Fabio Passos: Precisamos fortalecer parcerias principalmente na área de transporte. A UFF está presente em nove municípios,e muitos estudantes enfrentam dificuldades enormes para se deslocar. Precisamos trabalhar com os alunos para conquistar passe livre para os alunos. Também queremos ampliar bolsas,assistência psicológica,atividades culturais e espaços de convivência. Permanência não é só auxílio financeiro. Ano passado a UFF usou 68,3% dos recursos do Pnaes para a permanência estudantil. Vamos continuar lutando pelo aumento dos investimentos e financiamento para que o aluno conclua seu curso.
Roberto Salles: A prioridade número um é a moradia estudantil. Queremos ampliar as moradias estudantis e criar um comitê gestor com participação dos estudantes para discutir a distribuição dos recursos de assistência. Também vamos dialogar com as prefeituras para construir políticas de transporte e buscar alternativas como o passe livre universitário. Quando assumi a UFF,ela nunca teve moradia. Criamos em Niterói e Rio das Ostras. Precisamos conversar com os prefeitos,e eles têm participação importante para nos ajudar a construir uma forma para que os alunos que possam se manter tenham um espaço para morar.
Diante das incertezas políticas e econômicas do país,como fortalecer a autonomia universitária e a ciência?
Fabio Passos: Eu vivi um momento desses como vice-reitor. É importante que mostremos para qualquer governo no poder que a universidade é bem administrada,com responsabilidade,com segurança,e precisamos demonstrar que os recursos são poucos e bem gastos. Precisamos demonstrar os impactos da universidade na vida das pessoas e fortalecer o diálogo com a sociedade.
Roberto Salles: A UFF é uma universidade plural. Somos seres políticos. A universidade sobrevive,pois fica acima de qualquer interesse. Esperamos que ganhe um presidente que tenha um olhar para a educação,para saúde. Não queremos retrocesso. O ensino é fundamental para a transformação das pessoas. Queremos um presidente que queira uma universidade melhor,que encare a vacina como algo que salva vidas. Vacina salva vidas.
Qual é a posição da chapa sobre a política de cotas nas universidades federais?
Fabio Passos: Nossa chapa é defensora das cotas. Queremos ampliar ações afirmativas na graduação,pós-graduação e concursos públicos. Também defendemos vestibulares específicos para indígenas e quilombolas.
Roberto Salles: Sou defensor intransigente das cotas. Ainda como reitor da UFF,antecipei a integralização das cotas antes da maioria das universidades federais do país,porque sempre entendemos que inclusão não é favor: é justiça social.
