Brasileira revela xenofobia em demissão de serviço público de Portugal e apela a Lula

Priscila Gomes em Lisboa: denúncia de xenofobia no serviço público de Portugal — Foto: Duda Laque/Arquivo pessoal/Divulgação

Lazer e entretenimento Apr 21, 2026 IDOPRESS

Priscila Gomes em Lisboa: denúncia de xenofobia no serviço público de Portugal — Foto: Duda Laque/Arquivo pessoal/Divulgação

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GERADO EM: 20/04/2026 - 09:04

Brasileira demitida em Portugal denuncia xenofobia e apela a Lula

Priscila Brandão Gomes,uma brasileira vivendo em Portugal,denuncia xenofobia após ser demitida do serviço público. A demissão,que ela alega ser injusta,afeta a estabilidade de sua família e a permanência legal de seu filho no país. Priscila apela ao presidente Lula para abordar a discriminação contra brasileiros em reuniões bilaterais com líderes portugueses. Ela apresentou queixas sobre coerção e discriminação a diversas entidades em Portugal.

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A brasileira Priscila Brandão Gomes revelou ter sido discriminada,coagida e demitida do serviço público de Portugal. A denúncia é feita ao Portugal Giro e ao Ministério Público (MP) no dia da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva,que tem uma agenda de reuniões bilaterais que prevê o combate à xenofobia.

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Formada em pedagogia com pós-graduação em gestão educacional,a paraense de 42 anos vive há três em Portugal e assumiu o cargo de assistente operacional após concurso para o Instituto Politécnico de Lisboa,de ensino superior. Ela diz que foi demitida injustamente dentro do período de experiência.

— Minha chefe sempre demonstrou que não gostava de mim pelo simples fato de eu ser brasileira — revelou Priscila,que protocolou queixa no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do MP de Lisboa e diz que fará adendo ao processo hoje para incluir xenofobia.

Segundo Priscila,que desistiu de um trabalho na hotelaria pelo sonho do serviço público,a desaprovação interfere na permanência regular do filho em Portugal.

— Uma avaliação forjada em inverdades tendenciosas tirou o meu sustento e isso compromete a estabilidade da minha família e a permanência legal do meu filho,que não vê os avós no Brasil há três anos por não ter autorização de residência — disse ela,realçando:

— A gravidade desta injustiça atinge o auge do meu desespero como mãe,pois tenho agendada para o dia 27 de maio a entrevista para o reagrupamento familiar do meu filho.

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Priscila contou que também apresentou denúncia na Inspeção de Finanças e na Comissão de Igualdade Contra a Discriminação Racial (CICDR). Como o texto entregue na CICDR ficou mais completo,ela vai anexar hoje o caso de xenofobia ao processo do DIAP do MP.

— A prática de xenofobia institucional já denunciada à CICDR não viola apenas os meus direitos como trabalhadora estrangeira,mas atenta contra a estabilidade de uma família e a dignidade de um menor — denunciou:

— Vou levar o texto amanhã (hoje) ao MP para acrescentar discriminação por nacionalidade.

Ao DIAP e aos demais órgãos,Priscila apresentou denúncias de coação,falsificação de documento,abuso de poder,omissão de deveres e negação da Justiça,perseguição,assédio e proximidade e vigilância.

Priscila apelou para Lula reforçar a necessidade de combater a discriminação de brasileiros junto ao presidente António José Seguro e ao primeiro-ministro Luís Montenegro.

— Espero que ouçam o Lula,porque a gente está precisando muito. Eu quero ter voz,falar,porque fiquei madrugadas pesquisando leis e isso (denúncia) vai ajudar as brasileiras — disse ela,sugerindo:

— Peço que o Brasil interceda pelos processos de reagrupamento familiar e combata a xenofobia. Proponho que criem um canal bilateral de denúncia onde o consulado brasileiro e as autoridades portuguesas trabalhem para punir instituições que perseguem brasileiros com base em preconceito.

Em e-mail,mensagens e ligações,Priscila contou detalhes à coluna. A avaliação do seu relatório sobre os três meses experimentais recebeu nota considerada negativa ou insuficiente (10 em 20) porque,segundo Priscila,ela se expressava em “brasileiro”.

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A desaprovação formal,de acordo com Priscila,foi entregue um dia antes de o período experimentar acabar. Um júri decidiu com base no relatório da superior direta.

— A minha chefe já tinha tomado a decisão sozinha de não me aprovar. O júri não avaliou competências,porque tenho testemunhas de que fiz tudo certo e também tenho provas documentais sobre inverdades nos relatórios da minha avaliação — disse ela,continuando:

— Fui avaliada com nota negativa na expressão escrita apenas por usar o português do Brasil (termos como "planilha"). A avaliação aconteceu com “deficiência na redação” e “confuso”,sendo que os recursos humanos enviaram um manual que tomei como base.

A brasileira contou que foi humilhada ao ser corrigida pela chefe quando usava expressões comuns no Brasil durante o expediente.

— Ela nunca deixou registrado nos e-mails (muitos fora da hora de trabalho,diz ela),mas me corrigia e me humilhava dizendo que não entendia por eu não falar direito — declarou.

O contrato de trabalho em funções públicas por tempo indeterminado foi assinado em 2 de dezembro de 2025. O tempo experimental terminou em 28 de fevereiro. Priscila contou ter sido chamada pela chefe quatro dias antes,quando,segundo ela,foi coagida a desistir.

— Minha chefe esperou até o dia 24 para me coagir a enviar um e-mail desistindo espontaneamente do meu período experimental sob a ameaça de eu nunca mais trabalhar na função pública,caso não fizesse — ressaltou a brasileira:

— Ela ditou como eu deveria escrever o e-mail,mas eu chorei muito e disse que não concordava com aquilo e que não estava em condições de enviar e-mail nenhum.

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Diante da recusa,Priscila afirmou que a chefe mandou ela voltar para casa,onde deveria continuar com a redação do e-mail demissionário.

— Não fiz. Liguei para ela e disse que eu precisava de algo formal que indicasse o motivo da minha não aprovação e fui trabalhar no outro dia normalmente esperando pelo papel. Que só chegou quando ela percebeu que não enviaria o tal e-mail — declarou.

Procurado,o Instituto Politécnico de Lisboa não respondeu até o fechamento deste texto.

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