Oncoclínicas: processo de recuperação extrajudicial não afeta atendimento aos pacientes de câncer, diz empresa

Notícias Internacionais Jul 16, 2026 IDOPRESS

Oncoclínicas encerrou 2025 com prejuízo de R$ 3,67 bilhões — Foto: Reprodução

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GERADO EM: 14/07/2026 - 19:48

Oncoclínicas busca recuperação extrajudicial de R$ 5,1 bilhões

A Oncoclínicas,rede de clínicas oncológicas,enfrenta uma crise financeira e busca reestruturar um passivo de R$ 5,1 bilhões via recuperação extrajudicial. Apesar de suspensões anteriores em tratamentos devido à falta de medicamentos,a empresa afirma que o atendimento atual aos pacientes não será impactado. O plano inclui 795 credores e necessita da aprovação de 50% deles para homologação judicial. A reestruturação não abrange custos operacionais,focando apenas em dívidas vencidas.

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O plano de recuperação extrajudicial da Oncoclínicas,que tenta reestruturar um passivo de R$ 5,1 bilhões,é mais um capítulo na crise financeira e de governança que vive a rede de clínicas oncológicas.

No auge dos problemas,pacientes de câncer chegaram a ter atendimentos e sessões de quimioterapia,radioterapia e imunoterapia suspensos por falta de medicamentos. Agora,porém,a empresa descarta impactos aos usuários em meio ao processo de reestruturação financeira.

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Ao todo,o plano inclui 795 credores. A lista de dívidas da rede de clínicas oncológicas inclui principalmente operações de financiamento via bancos e mercado de capitais,faturas em aberto com fornecedores de medicamentos e também valores relativos a fusões e aquisições,um dos caminhos que a empresa seguiu nos últimos anos para crescer.

A recuperação não abrange custos operacionais atuais da rede de clínicas,ou seja,apenas débitos já vencidos com fornecedores de medicamentos e insumos foram incluídos no plano. Valores relativos a médicos,enfermeiros e outros funcionários também ficaram de fora. Desse modo,segundo a empresa,os atendimentos aos pacientes continuam normalmente durante o processo.

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— A empresa ganha fôlego com a recuperação,que cobre só a dívida financeira,sem a operação do dia a dia. A empresa sinaliza ao mercado que continua funcionando,e que não quer repetir o que aconteceu em março — ressalta Caroline Sanchez,analista Caroline Sanchez,da Levante Inside Corp,lembrando quando,no auge da crise,os atendimentos aos pacientes que foram suspensos por falta de medicamentos.

A companhia formalizou o processo de reestruturação na segunda-feira. Em fato relevante enviado ao mercado ontem,a empresa destacou que credores donos de 37% da dívida abrangida aderiram ao plano.

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O patamar é suficiente para a abertura do processo. Nos próximos 90 dias a empresa terá que alcançar a aprovação de 50% dos credores para que o plano de reestruturação seja homologado pela Justiça.

Juntos,a securitizadora Opea,a corretora Pentágono DTVM e a administradora de fundos Oliveira Trust concentram mais de R$ 3 bilhões em créditos. Já entre os fornecedores,a distribuidora de medicamentos OncoProd tem o maior montante a receber,R$ 1,02 bilhão,enquanto Santander,Itaú e Banco Votorantim se destacam entre as instituições financeiras.

A fatia de 37% das dívidas cujos credores já concordaram com o plano de recuperação é devida a três credores financeiros que operacionalizaram operações de financiamento à Oncoclínicas. A securitizadora Opea lidera a lista,com R$ 1,68 bilhão pela emissão de debêntures.

O Santander aparece em seguida,com R$ 114 milhões de um empréstimo concedido à rede oncológica. Há ainda um fundo de investimentos,representado pela Pentágono S.A DTVM,que é dono de R$ 64,8 milhões em debêntures da Oncoclínicas. Já com o Banco Votorantim,os débitos somam R$ 44,3 milhões em títulos de dívida emitidos pela instituição financeira.

'Fatores internos e externos'

A recuperação extrajudicial foi a solução adotada pela empresa “antes que medidas individuais e descoordenadas por parte de credores pudesse agravar a situação econômico-financeira” da companhia,argumentou a Oncoclínicas no processo levado ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP),ao qual O GLOBO teve acesso.

Entre as causas para a crise de caixa,a empresa elenca “fatores internos e externos”,como a expansão acelerada das atividades e a “deteriorização do ambiente macroeconômico”,como taxas de juros em patamar elevado.

O plano de recuperação,segundo a companhia,poderá envolver medidas como a injeção de recursos pelos acionistas,a conversão de parte das dívidas em ações da empresa,a renegociação de alguns dos débitos por novos empréstimos e a ampliação do prazo para pagamento aos credores.

— O que foi proposto,na realidade,não são medidas específicas,mas um plano ainda a ser negociado com os credores e que deverá ser apresentado detalhadamente nos próximos 45 dias — explica Felipe Corrêa,sócio do escritório Basilio Advogados.

O grupo também informou que,como parte da reestruturação,rescindiu contratos que previam a abertura de uma clínica em São Paulo e a construção de um hospital em Goiânia.

Proteção contra credores

Em meados de junho,terminou o período de 60 dias de proteção contra credores que a companhia conseguiu na Justiça em abril,após divulgar que encerrou 2025 com um prejuízo de R$ 3,67 bilhões e com a dívida fora das condições previstas em contrato com os credores.

O tolerado era uma alavancagem de até 3,5 vezes o Ebitda (lucro antes de juros,imposto,depreciação e amortização). O indicador mostra o quanto uma empresa depende de dívida para financiar suas operações: quanto mais elevado,maior o risco financeiro. Na Oncoclínicas,a alavancagem ficou em 4,3 vezes.

Na época,direção da Oncoclínicas falou em "incerteza quanto à continuidade operacional". Uma das causas citadas para o agravamento do quadro foi a inadimplência da Unimed Ferj,que somou R$ 861 milhões. Segundo a operadora,esse valor já foi negociado. Outro fator apontado foi a liquidação extrajudicial do Banco Master. Isso porque a empresa investiu cerca de R$ 478,2 milhões em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) do banco de Daniel Vorcaro.

— Houve eventos extraordinários como esses,mas também problemas de gestão,uma série de decisões ruins,um crescimento agressivo muito alavancado e uma dependência grande de poucas operadoras (de planos de saúde) — pondera Caroline,da Levante.

Briga por oferta pública de ações

Paralelamente,acionistas minoritários pressionam por uma oferta pública de aquisição (OPA) de cerca de R$ 6 bilhões. O pedido é para obrigar a gestora americana Centaurus a pagar aos acionistas um valor superior a R$ 16 por ação,que hoje vale R$ 0,77 na Bolsa.

A origem do caso foi a reorganização da fatia do Goldman Sachs na Oncoclínicas,concluída em novembro de 2024. O fundo da Centaurus passou a deter mais de 15% da companhia,um dos gatilhos para a realização da OPA,segundo o estatuto da empresa.

Como mostrou a coluna Capital,os técnicos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) são contra a OPA,mas a decisão caberá ao colegiado do órgão.

— Se a CVM entender que a OPA precisa ser feita,isso não interfere na recuperação extrajudicial,e vice-versa,mas obviamente há um impacto financeiro,porque a empresa terá que encontrar recursos para pagar os minoritários — analisa o advogado João Basilio.

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