Placa em homenagem a Antônio Caubi — Foto: Divulgação / CACO,AAAFND,Bateria Rabugenta e Loucos da Central

Placa em homenagem a Antônio Caubi — Foto: Divulgação / CACO,AAAFND,Bateria Rabugenta e Loucos da Central
GERADO EM: 02/04/2026 - 15:49
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De um lado da Rua Moncorvo Filho,no Centro do Rio,está a Faculdade Nacional de Direito (FND),da UFRJ. Do outro,o Bar e Restaurante Coração de Maria,conhecido por muitos como o "Bar do Caubi",referência ao garçom que durante 28 anos recebeu a todos de sorriso aberto e astral no alto. Mas,no último domingo,Antônio Caubi Rodrigues da Silva morreu,aos 61 anos: para homenageá-lo,grupos ligados à faculdade organizaram um evento na noite desta quarta-feira,coroado com a confecção de uma placa em reconhecimento à parceria de longa data.
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Antônio Caubi,garçom que deixa saudades no Centro do Rio — Foto: Reprodução / Facebook
Uma faixa também foi pendurada na porta do botequim,com o nome de Caubi,além dos dizeres "A Rua Moncorvo Filho te agradece por tudo,você estará sempre em nosso corações". Parentes de Caubi,como irmãos e sua filha,também marcaram presença. O momento foi emocionante e muitos foram até o microfone lembrar das memórias com o garçom ilustre.
Alunos e ex-alunos,engravatados e à paisana,assim como funcionários do Hospital Souza Aguiar,do Arquivo Nacional e da Policlínica Militar do Rio de Janeiro — também vizinhos ao bar — participaram da festa,organizada pelo Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO),junto à Associação Atlética Acadêmica da FND,à Bateria da FND (a Rabugenta) e a torcida organizada da FND,conhecida como Loucos da Central.
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— O Caubi recebia todo mundo com um sorrisão no rosto,era muito conhecido por esse motivo. Falo que muita gente vinha aqui por causa dele — lembra Bianca Costa,filha de Valentim Costa,donos do bar.

Valentim Costa,dono do bar em que Caubi trabalhava — Foto: Divulgação / CACO,Bateria Rabugenta e Loucos da Central
O funcionário,que costumava começar a trabalhar na hora do almoço e ia até à noite,passando pelo happy hour,estava afastado do batente desde agosto do ano passado,inicialmente por um problema na coluna. Desde então,sua saúde foi complicando. Nas últimas três semanas,acabou internado no Hospital Evandro Freire,na Ilha do Governador,com transferências para o Souza Aguiar,no Centro,e,por último,para o Hospital do Andaraí,onde faleceu no último fim de semana.
Valentim conheceu Caubi em Copacabana,quando tinha outro restaurante no bairro da Zona Sul. Após seu fechamento,o destino do garçom foi o estabelecimento no Centro,onde marcou gerações. Dentro do bar,há um mural com fotos protagonizadas por Caubi e os frequentadores.
— A relação dele com todo mundo era muito próxima,estava sempre com um sorriso no rosto,lembrava nosso nome,dos nossos rostos,conversava,sabia o prato que a gente queria. Era uma atenção muito fora da curva. A gente fica ali por 5 anos (tempo do curso em Direito),todos os dias,então acaba indo bastante ali. Ele representava esse ponto de acalento,de bater um papo,falar uma besteira,dar algum conselho. Foi muito bonito todo mundo tendo uma história para contar,mas sobre o mesmo Caubi,essa pessoa carinhosa,atenciosa e especial pra todos nós — observa Lucas Bruno Chaves,aluno da FND e diretor do CACO.
Durante a homenagem,também foi entregue ao bar uma camisa do time Atlético do Caubi,criado durante um torneio da Loucos da Central no ano passado. Na ocasião,Caubi ficou contente,lembra Lucas,ao saber da homenagem,mas que não deu tempo de receber o uniforme em vida.
Outro aluno da FND,Renan Charnoski,lembra que a "agitaçãozinha" em homenagem ao garçom foi semelhante a um gurufim — cerimônia funerária festiva — por ter sido um momento de celebrar a vida de Caubi. Há relatos de que o garçom ajudava com um conselho,mas também estendia a mão a quem estava passando por problemas financeiros,com direito a pendurar a conta ou até deixar comer de graça.
— Ele tinha feito uma cirurgia,mas nunca se recuperou 100%. Era como se estivesse faltando alguma coisa. A gente perguntava "cadê o Caubi?",ficava perguntando para o Valentim sobre isso — observa Renan.
Caubi,natural de Tamboril,no Ceará,deixa a filha Rafaela e a viúva,Janaína.
