Conta de luz — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo. RESUMOSem tempo? Ferramenta de IA resume para você

Conta de luz — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo.
GERADO EM: 22/04/2026 - 22:11
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Quase metade da população brasileira (46%) apoia que o governo brasileiro priorize preços baixos da energia,mesmo que isso aumente as emissões de gases poluidores. O percentual é próximo à média global (50%). É o que mostra novo levantamento do instituto Ipsos divulgado ontem. A pesquisa “People and Climate Change” aponta também que o aumento do valor da tarifa é motivo de preocupação para 77% do país.
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—Isso ressalta a tensão entre a ambição climática e as realidades econômicas das famílias,dado o aumento dos custos de energia — afirma Priscilla Branco,diretora de Opinião Pública da Ipsos no Brasil.
Há,por outro lado,a percepção de que o governo brasileiro poderia ter uma atuação melhor na luta contra as mudanças climáticas. Sete em cada dez pessoas (71%) avaliam que o Brasil deveria fazer mais neste campo,percentagem que supera a média global (59%).

Dilema global — Foto: Editoria de Arte
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A geração nascida entre 1946 e 1964 é a que mais chancela essa impressão (77%),enquanto aqueles nascidos entre 1997 e 2012 têm o menor percentual de concordância (67%). As mulheres brasileiras também esperam mais do Brasil em relação ao tema: 75%,contra 66% dos homens.
O relatório aponta ainda que,embora três dos últimos quatro anos tenham sido os mais quentes registrados no mundo,o desejo individual de agir urgentemente em relação às mudanças climáticas diminuiu nos 26 países estudados desde 2021.
O Brasil,no entanto,foi o que apresentou a menor queda entre as 31 nações mensuradas em 2026. Foram 7 pontos percentuais a menos em um ano,chegando a 70%. A média global é de 61%.
Os pesquisadores avaliam que a mudança não reflete apatia da população com relação ao tema,mas sim,uma transferência de responsabilidade.
— Os cidadãos estão,cada vez mais,buscando a liderança dos governos e das empresas,por entenderem que o peso da ação não pode recair apenas sobre os indivíduos. Nesse sentido,os dados nos mostram não uma história de indiferença,mas de exaustão e mudança de expectativas — aponta Branco.
O relatório chegou à conclusão de que há uma divisão de atitude entre os países de acordo com a situação econômica. Em nações de renda média,71% acham que mais ações precisam ser tomadas. Já em países de alta renda,apenas 53% compartilham dessa opinião,apesar de os mais ricos,historicamente,demonstrarem maior responsabilidade pelas causas das mudanças climáticas.
Os dados globais ressaltam o temor com as consequências das mudanças climáticas. A maioria dos entrevistados expressa preocupação com ondas de calor (63%),tempestades devastadoras (63%),secas (60%) e poluição do ar (59%) que podem ocorrer em suas regiões no próximo ano.
A pesquisa identificou também uma percepção de falta de liderança por parte dos governos em todo o mundo com relação ao problema. Poucos acreditam que suas nações sejam uma liderança mundial no combate às mudanças climáticas: em 31 nações,27% concordam que seu país se coloca como um líder mundial no tema,enquanto 34% discordam.
No Brasil,que sediou em novembro a COP30,conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas,34% concordam com a afirmação e 31% discordam.
A transição energética foi um dos temas abordados na conferência. O Planalto determinou,em dezembro,a elaboração de um plano brasileiro,com um “mapa do caminho”,para a redução do uso de combustíveis fósseis. Impasses na gestão petista,entretanto,vêm travando a elaboração do documento.
Já o presidente da COP30,que mantém o mandato até a COP31,André Corrêa do Lago tenta viabilizar um mapa do caminho global. A iniciativa não encontrou consenso na conferência,sobretudo por conta da resistência de países produtores de petróleo. A proposta visa auxiliar o cumprimento de metas da ONU para reduzir a alta da temperatura no planeta.
A pesquisa foi realizada em 31 países entre os dias 23 de janeiro e 6 de fevereiro deste ano. A lpsos entrevistou um total de 23.704 adultos. No Brasil,a amostra consiste em aproximadamente mil indivíduos. Os dados são ponderados para que a composição da amostra de cada país reflita melhor o perfil demográfico da população adulta,de acordo com os dados do Censo mais recente.
