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Romeu Zema (Novo) durante em entrevista do Roda Viva — Foto: Reprodução de vídeo
GERADO EM: 22/04/2026 - 23:07
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O ex-governador de Minas Romeu Zema dobrou a aposta e voltou a criticar o Supremo Tribunal Federal (STF) depois que o ministro Gilmar Mendes pediu a seu colega Alexandre de Moraes que o incluísse no inquérito das fake news devido a críticas por meio de uma sátira de fantoches. Com isso,Gilmar transforma em realidade a piada que corre pela internet com Moraes ameaçando:
— Vou te colocar no inquérito.
Zema se põe no centro da polêmica eleitoral porque se sente livre para criticar os que considera seus adversários,no papel de franco-atirador,sem “rabo preso”,como gosta de afirmar.
Com isso,pode surgir em próximas pesquisas mais bem colocado na disputa dentro da direita. Dependendo dos acontecimentos,o senador Flávio Bolsonaro pode perder votos para Zema ou Ronaldo Caiado. Ou então se firmar como o preferido dos eleitores da direita. Mas Flávio,que joga parado até agora,terá de se mexer para não perder pontos para Zema na disputa com o Supremo. A soma dos candidatos desse nicho eleitoral sugere que,num segundo turno,o mais bem votado receberá os votos dados aos demais representantes do antilulismo,e dificilmente o presidente Lula terá condições de superá-los,ainda mais no primeiro turno.
Os ex-governadores de Minas e de Goiás têm,também,condições melhores que Flávio de receber votos do eleitorado de centro-direita,e a transferência pode não ser completa por causa disso,pois o senador bolsonarista desagrada a muitos eleitores centristas. Continuando nessa batida agressiva,Zema pode também assustar o eleitor de centro. Os dois candidatos mais rejeitados pelo eleitorado,para vencer a eleição,terão,no segundo turno,de convencer eleitores de centro de que são a melhor alternativa para quem não quer um ou outro.
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Flávio,para isso,vende-se como um “Bolsonaro moderado”,o que por si só é um oximoro. O futuro do bolsonarismo seria ele,mas será difícil entender como,defendendo as atitudes do pai e afirmando que não houve tentativa de golpe,pode convencer os não convertidos de que é diferente da prole. O futuro é ofuscado pelo passado da família. Lula,em contraste,vive do passado,e seu terceiro mandato é rejeitado pela maioria da população. A imagem de um líder popular que teve papel importante nos programas sociais fica nublada por mensalão,petrolão e pela prisão na Operação Lava-Jato.
É tão difícil desgrudar de Lula essa imagem de corrupto quanto a de golpista de Flávio e sua família. Na campanha de 2022,ele conseguiu vencer por ter convencido a maioria dos eleitores centristas de que representava a defesa da democracia e de que faria um governo de união nacional. Agora,não tem mais essa carta na mão. Ou pelo menos não com tanta facilidade. A defesa da soberania nacional é o mote atual,aproveitando que o presidente dos Estados Unidos,Donald Trump,continua atravessando a rua para escorregar nas cascas de banana que ele mesmo jogou.
Enquanto Flávio,quando viaja,reassume a postura radical da família e faz questão de exibir a influência junto a Trump,Lula explora em suas viagens internacionais as críticas à política externa de Trump,na esperança de colocar-se como barreira entre ele e o povo brasileiro. A interdição do adido da Polícia Federal em Miami foi uma boa oportunidade para demonstrar independência,embora seja difícil acreditar que o brasileiro não tenha tentado encurtar caminho para conseguir a extradição do ex-deputado federal Ramagem,burlando as normas da legislação americana. Por sinal,o próprio governo americano as dribla mandando para fora do país quem está com sua documentação em trâmites de regularização. A politização do caso parece ter ocorrido de ambos os lados,mostrando que o governo Trump será tema inevitável da próxima campanha presidencial. Os dois candidatos que lideram a pesquisa terão de fazer malabarismos verbais para agradar a vários níveis do eleitorado,sem perder a essência.
