
Vozinha,goleiro de Cabo Verde,descreveu a partida contra a Espanha como o momento pelo qual vinha trabalhando “a vida inteira” — Foto: Buda Mendes/Getty Images via Bloomberg
GERADO EM: 01/07/2026 - 05:29
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A Copa do Mundo sempre revelou heróis improváveis dentro de campo. Em 2026,o torneio também passou a fabricar celebridades nas redes sociais. Em poucos dias,jogadores praticamente desconhecidos viraram fenômenos digitais,conquistaram milhões de seguidores e abriram uma nova frente de negócios que pode render mais do que muitos contratos no futebol.
O caso mais emblemático é o da goleira cabo-verdiana Vozinha. Aos 40 anos,ela protagonizou uma das maiores atuações da fase de grupos ao segurar um empate sem gols contra a Espanha,resultado que entrou para a história da seleção africana. O desempenho repercutiu imediatamente fora das quatro linhas: seu perfil no Instagram saltou de cerca de 50 mil seguidores para impressionantes 17,4 milhões,número superior ao de astros como Tom Brady.
Outro fenômeno foi o zagueiro neozelandês Tim Payne. Diferentemente de Vozinha,sua explosão nas redes não aconteceu por causa de uma atuação em campo,mas após um influenciador argentino lançar uma campanha para que torcedores do mundo inteiro passassem a segui-lo. A estratégia viral funcionou. Payne saiu de aproximadamente 5 mil seguidores para quase seis milhões em poucos dias — mais do que toda a população da Nova Zelândia.
— Seguidores são uma forma de moeda atualmente. Quanto maior o público,maior tende a ser o potencial de renda — explica.
As oportunidades vão desde contratos publicitários e campanhas com grandes marcas até participações em eventos,programas de televisão e licenciamentos de imagem.Para especialistas em marketing esportivo e mídia digital,a nova realidade transforma seguidores em um ativo financeiro valioso. Brooke Duffy,pesquisadora da Universidade Cornell,afirma que influenciadores com milhões de seguidores podem negociar publicações patrocinadas por valores superiores a centenas de milhares de dólares.
— Seguidores são uma forma de moeda atualmente. Quanto maior o público,programas de televisão e licenciamentos de imagem.
A dificuldade,não é viralizar,mas permanecer relevante. Para o professor Mike Serazio,pesquisador da relação entre esporte e mídia no Boston College,a fama construída nas redes sociais costuma seguir o mesmo ritmo dos algoritmos.
— É viral. Cresce muito rápido e cai na mesma velocidade.
Segundo ele,o esporte vive uma mudança de paradigma. Se antes era preciso construir uma carreira de títulos para se tornar garoto-propaganda,hoje um único momento marcante pode transformar um atleta em celebridade mundial.
— Nos últimos anos vimos surgir atletas cuja fama nas redes sociais não é necessariamente proporcional ao talento esportivo. Um momento viral pode ter mais valor do que uma atuação consistente durante todo o jogo.
Essa lógica ajuda a explicar por que jogadores pouco conhecidos passaram a dividir espaço com estrelas como Lionel Messi,Cristiano Ronaldo,Neymar e Kylian Mbappé no ambiente digital da Copa.
Especialistas ressaltam,no entanto,que a verdadeira prova começa depois do Mundial. Manter milhões de seguidores exige produção constante de conteúdo,interação com o público e uma estratégia de imagem que vá além do desempenho dentro de campo.
Há exemplos de sucesso. A americana Ilona Maher,destaque do rúgbi nos Jogos Olímpicos de Paris-2024,transformou sua popularidade nas redes em uma carreira de influenciadora,fechando contratos com marcas,lançando podcast,participando de programas de televisão e tornando-se uma das atletas mais valorizadas comercialmente dos Estados Unidos.
Para nomes como Vozinha e Payne,o desafio agora será semelhante: provar que a explosão de popularidade não foi apenas um fenômeno da Copa,mas o início de uma marca pessoal capaz de sobreviver quando o torneio chegar ao fim.
