
Flávio Bolsonaro e Lula são candidatos ao Planalto — Foto: Maria Isabel Oliveira e Brenno Carvalho / Agência O Globo
Previsto para começar a partir da próxima sexta-feira,o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão mobiliza as campanhas dos candidatos à Presidência. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL),que terão a maior fatia do tempo,já começaram a gravar as peças que serão veiculadas até 1º de outubro. Os temas levados aos eleitores vão da crise do INSS à defesa da soberania.
Ipsos-Ipec: Ciro Gomes lidera corrida pelo governo do Ceará com 43%,contra 35% de ElmanoRio: Adversários exploram vídeo de Paes em carreata ao lado de alvo de operação da PF em investigação contra milícia
Em agendas na quinta-feira,Lula criticou o que avalia ter sido um desmonte do governo feito pela gestão Bolsonaro,e Flávio,ao lado do governador de São Paulo,Tarcísio de Freitas (Republicanos),falou em ser “presidente de transição”.
No campo da propaganda eleitoral,Lula deve enfatizar temas como emprego,saúde,educação e soberania,destacando realizações de seus governos e indicadores dessas áreas. A campanha do petista também pretende reforçar uma mensagem de esperança,sonho e orgulho nacional.
O presidente iniciou a gravação de vídeos nos últimos dias no QG de comunicação,numa casa do Lago Sul em Brasília,com o objetivo é criar um banco de imagens para serem usadas até o fim primeiro turno.
A produção intensa neste momento permitirá que a equipe recorte os melhores fragmentos das falas de Lula para usar nos programas. A ordem das gravações ainda é aleatória,uma vez que não se bateu o martelo sobre o modelo de programa que fará a estreia do horário eleitoral. Isso deve ocorrer nos próximos dias,e o formato vai ser definido a partir do resultado aferido em grupos de pesquisas qualitativas. A defesa da soberania e a valorização da identidade nacional,no entanto,devem aparecer de forma transversal ao longo da campanha.

Tempo de TV — Foto: Editoria de Arte
A equipe ainda avalia se usará falas livres de Lula ou com presidente usando teleprompter. Com briefing,o petista costuma se sair melhor em falas espontâneas,mas o ambiente controlado da campanha,o tempo limitado das inserções e o ajuste do discurso devem fazer Lula adaptar ambos os recursos. Todas as gravações são acompanhadas pelo marqueteiro Raul Rabelo e pelo fotógrafo Ricardo Stuckert.
Lula tem gravado com chapéu panamá e usado camisas sociais de cores claras. Na terça-feira,o presidente apareceu em uma gravação no estúdio falando sobre fim da taxa das blusinhas. O cenário era uma sala com uma estante de livros com vista para o Pão de Açúcar,no Rio de Janeiro. Aliados criticaram o visual por parecer que Lula estava falando de uma cobertura da capital fluminense. Há,portanto,a possibilidade de ajuste do set de gravação.
Na quinta-feira,em sua primeira visita ao Nordeste após o início da campanha,Lula criticou o governo Bolsonaro ao afirmar que “se construiu um processo de mentira” no Brasil.
— Quando voltamos para o governo,encontramos um país totalmente desestruturado. Era um lugar abandonado,porque se construiu um processo de mentira nesse país. Era brincadeira na internet. Falar mal e provocar os outros. Nós reconstruímos esse país — disse Lula em Macaíba,no Rio Grande do Norte,ao lado do presidente da Câmara,Hugo Motta (Republicanos).
O presidente visitou o parque tecnológico da região e acompanhou anúncios relativos aos supercomputadores e soberania digital.
Já Flávio,em São Paulo,afirmou durante um encontrou com empresários da Mooca que,se eleito presidente,está disposto a fazer um mandato de transição. Ele estava ao lado de Tarcísio de Freitas,que mais cedo,em sabatina de O GLOBO,Valor e CBN,havia reforçado que o senador defende o fim da reeleição.
— Tarcísio entrou para a história como ministro da Infraestrutura do Bolsonaro,e Tarcísio já entrou para a história como governador de São Paulo. E eu pretendo entrar para a história,Tarcísio,nem que seja como presidente de transição — disse Flávio,sem dar mais detalhes.
Na propaganda eleitoral para rádio e TV,Flávio vai combinar dois eixos de ataque a Lula: economia e corrupção. Em peças gravadas na última quarta-feira em um supermercado,o candidato do PL associa o aumento do custo de vida e o endividamento das famílias à política econômica do governo,usando situações do cotidiano para reforçar a crítica ao impacto no bolso dos eleitores.
O discurso econômico ganhou espaço nas primeiras agendas de Flávio após o início oficial da campanha. Em Belo Horizonte,na terça-feira,o senador atribuiu a Lula o aumento do endividamento das famílias e afirmou que a política econômica do governo levou brasileiros a recorrer ao crédito e enfrentar juros que não conseguem pagar.
Ao mesmo tempo,a campanha levará para a propaganda eleitoral o caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva,o Lulinha,investigado pela Polícia Federal por suspeitas de tráfico de influência. O QG de Flávio quer explorar as recentes revelações de mensagens entre o filho do presidente e a empresária Roberta Luchsinger para reforçar a narrativa de combate à corrupção e ampliar um tema que já vem sendo usado pela oposição no Congresso e nas redes sociais.
Parlamentares passaram a cobrar novas diligências depois da divulgação das mensagens,com pedidos para que Lulinha seja ouvido e para que as provas reunidas nas investigações sejam preservadas. Flávio também já entrou diretamente na ofensiva. Nas redes,o candidato repercutiu as revelações envolvendo o filho do adversário e passou a usá-las para atacar Lula.
A decisão de incluir o episódio no horário eleitoral amplia essa estratégia e leva o caso para uma parcela do eleitorado que não necessariamente acompanha a disputa política pelas redes sociais.
