
Protótipo da Eve,com a qual a Revo fechou contrato — Foto: Divulgação/Revo
GERADO EM: 24/05/2026 - 23:15
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A promessa dos "carros voadores" cortando os céus de São Paulo está com data marcada para o fim de 2027,na previsão mais otimista da Revo,companhia de táxi-aéreo que encomendou 50 eVTOLs (veículos elétricos de pouso e decolagem vertical) para operar na capital paulista.
Os aparelhos ainda estão em processo de licenciamento e serão fabricados pela Eve,subsidiária da Embraer que tem encomendas de empresas de vários países,mas a preparação do modelo de negócios do que promete ser um novo modal de transporte já começou na prática.
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Para entender a dinâmica de passageiros dos voos curtos que os "carros voadores" poderão fazer no futuro e adaptar a infraestrutura da cidade,a empresa vai usar sua frota atual de helicópteros como um laboratório em tempo real para a futura operação dos eVTOLs em diferentes rotas,conforme revelou ontem O GLOBO.

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A Revo,operadora de mobilidade aérea parceira da Embraer,acaba de lançar um modelo de assinatura anual focado em deslocamentos curtos na capital paulista. O serviço funciona como uma antessala para a chegada da aviação elétrica. O objetivo do período de transição é calibrar a logística terrestre e aérea antes da adoção em massa da nova tecnologia.
A estratégia,segundo João Welsh,CEO da empresa,permite testar e estabilizar novas rotas intraurbanas,adicionando pontos estratégicos como a Avenida Paulista e o Aeroporto de Congonhas a um circuito que já incluía o Aeroporto de Guarulhos,Faria Lima e Alphaville.
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— A nossa missão aqui dentro é olhar para o tempo,onde é que nós podemos trabalhar durante toda a jornada para minimizar o tempo do passageiro. Toda essa parte neural de criar essa rede e otimizar o tempo em terra é o que vai gerar cada vez mais valor para o cliente e nos preparar para a operação — explica Welsh.
O mercado de transição,no entanto,ainda reflete o custo elevado da aviação tradicional a combustão. O novo pacote de testes da operadora oferece 30 assentos anuais pela cifra de US$ 13.650 (R$ 68,5 mil),operados em helicópteros Airbus bimotores H135 e H155. Cada voo,portanto,sairá por US$ 455,quase R$ 2.300.

Protótipo da Eve,com a qual a Revo fechou contrato — Foto: Divulgação / Embraer
Historicamente,inovações em mobilidade nascem em nichos de alto padrão antes de ganharem escala,e essa é a expectativa da indústria para os “carros voadores”. A ideia é que a substituição pelos motores elétricos dos eVTOLs reduza drasticamente os custos operacionais,democratizando o acesso ao serviço no longo prazo,mas especialistas alertam que isso pode não acontecer de imediato.
Além do comportamento do consumidor,a fase atual serve para mapear e resolver gargalos estruturais. Transformar as centenas de helipontos de São Paulo em "vertiportos" exige uma readequação física complexa,que esbarra nas limitações da própria engenharia da cidade.
— A infraestrutura em si é um desafio,porque aqui no Brasil tem muito ponto elevado,no topo de prédios. Levar energia para esses pontos exige,por exemplo,cabos de alta densidade energética,de 600 volts,que precisam inclusive ser refrigerados na hora que vão fazer a recarga das aeronaves — detalha Roberto Honorato,diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Para especialistas em urbanismo,o sucesso dessa transição física dependerá da iniciativa do próprio setor privado em guiar e orientar o poder público local.
Jurandir Fernandes,coordenador do Conselho de Transporte e Mobilidade Urbana do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo,avalia que o momento é de as empresas assumirem os riscos financeiros e técnicos para adequar a infraestrutura da cidade a esse novo nicho. Ele é contra o uso de recursos públicos.
— O governo não tem que atrapalhar,mas o capital privado deve correr o risco. Sugiro que as empresas venham com relatórios técnicos e manuais elaborados para ajudar os municípios a andar mais depressa. Tem que trazer um material semiacabado e uma legislação já mastigada para que as prefeituras não percam tempo desenvolvendo cada uma à sua moda — defende Fernandes.
