Estupro coletivo de menor no Rio expõe chaga da violência contra mulher

Policial conduz um dos suspeitos de estupro coletivo em Copacabana — Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo/ 03/03/2026

Notícias do turismo Mar 5, 2026 IDOPRESS

Policial conduz um dos suspeitos de estupro coletivo em Copacabana — Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo/ 03/03/2026

O chocante estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos por cinco jovens (um deles menor de idade) em Copacabana,Zona Sul do Rio,é um crime bárbaro que precisa ser tratado com todo o rigor. Esse tipo de conduta criminosa é infelizmente mais frequente do que se pensa. O caso aconteceu em 31 de janeiro,mas só veio a público nos últimos dias. Segundo as investigações da polícia fluminense,a adolescente foi vítima de uma emboscada,atraída ao apartamento de um dos rapazes antes de ser abusada e agredida pelo grupo.

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Diante de tamanha perversidade,faz bem a polícia em dar celeridade às investigações. Todos os quatro réus já estão presos (o último se entregou nesta quarta-feira). Em relação ao menor,ainda não houve pedido de internação. Com a profusão de câmeras de segurança,não foi difícil identificar os autores. Denúncias que chegaram à delegacia afirmam que alguns dos jovens são acusados em crimes semelhantes. Delitos que,pelo jeito,ficaram impunes.

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Nos últimos anos,a legislação para crimes do tipo se tornou mais rigorosa,numa tentativa de frear a escalada da barbárie. De acordo com o artigo 213 do Código Penal,o estupro pode resultar em penas de seis a dez anos de prisão. Agravantes podem elevar a punição. Se a vítima for menor,a pena sobe para 12 anos. No caso de estupro coletivo,uma lei sancionada em 2018 a estabeleceu em até 16 anos e oito meses.

A despeito da legislação severa,o Brasil não consegue enfrentar a chaga. Em 2024,o país registrou número recorde de estupros e estupros de menores de 14 anos: 87.545,quase dez por hora,segundo o anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A grande maioria das vítimas era do sexo feminino (87,7%) e vulnerável (76,8%). É perturbador que 66% dos casos tenham ocorrido dentro de casa. Entre os culpados,familiares (45,5%) e parceiros ou ex-parceiros (20,3%) são os mais frequentes. Sob qualquer ponto de vista,esses números são vergonhosos.

Não basta apenas adotar leis mais duras. Muitos casos ficam impunes porque não são sequer investigados. São situações terríveis,em que muitas vítimas,fragilizadas,temem se expor. Mas não há outra maneira de interromper a escalada,senão investigação,identificação dos culpados e julgamento. Desgraçadamente,o silêncio protege os bárbaros e permite que cometam outros crimes. Por isso é preciso que governos ampliem campanhas,ofereçam canais de denúncia,acolham as vítimas e as incentivem a denunciar. É fundamental,ainda,empenho nas apurações,para reunir provas consistentes. O país avançará não apenas quando levar todos os criminosos aos tribunais,mas sobretudo quando conseguir impedir que esses crimes sejam cometidos.

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