NOS capta talento com neurodiversidade em parceria com Specialisterne

Ser neurodivergente não deve ser um obstáculo ao sucesso profissional: a NOS, através do programa de neurodiversidade, contratou seis, em parceria com a Specialisterne, entre eles Jorge Coveiro, engenheiro de automação, que avisa que há sempre uma oportunidade.

Estilo De Vida Apr 16, 2026 IDOPRESS

Arranjar trabalho para pessoas com neurodiversidade,que inclui o espectro do autismo,"é muito difícil",conta Joana Baptista,responsável da Specialisterne. Para se ter uma ideia,"em adultos autistas,a taxa de desemprego ronda os 80%",diz.

 

A NOS é uma das empresas que tem um programa de neurodiversidade que integra a estratégia de diversidade e de inclusão.

"Queremos construir efetivamente uma organização mais inclusiva,mais inovadora,orientada para o futuro",explica à Lusa Rita Montenegro,responsável de 'people experience & diversidade e inclusão' da NOS,a propósito do Open Day da terceira edição da neurodiversidade da NOS,onde o objetivo é receber os candidatos e famílias e dar a conhecer o projeto.

Até ao momento,a NOS já contratou seis pessoas,entre as quais uma mulher: "Queremos que o projeto continue a crescer" de forma sustentável,refere Rita Montenegro.

"Os perfis que temos ido buscar têm aportado muito valor àquilo que é a entrega dos nossos objetivos e das equipas e até com melhorias muito significativas" sobre métodos de trabalho,partilha a responsável,que assevera que o programa "está a correr muito bem",com um "'feedback' muito positivo das equipas".

Na verdade,"o difícil nestas coisas é começar,mas quando nós temos os nossos parceiros connosco,no caso,a Specialisterne,ajuda-nos a recrutar melhor,a enquadrar melhores pessoas nas equipas,a melhorar também muito aquilo que são os nossos hábitos e processos de trabalho",diz.

"Profissionais diferenciadores,inovadores e com outras formas de pensar,também tornam a organização melhor",remata Rita Montenegro.

Jorge Coveiro,44 anos,é um dos colaboradores neurodivergentes da NOS,que partilhou,numa conversa com a Lusa,a sua experiência.

"Estou cá há um ano e meio",relata,referindo que trabalha na área 'Quality Management Services' da NOS.

Trabalha como engenheiro de automação e entrou através do programa de neurodiversidade: "Candidatei-me numa segunda instância,porque na primeira instância não consegui entrar. Candidatei-me uma segunda vez e,felizmente,consegui entrar para NOS",reforça Jorge Coveiro.

Apesar de os neurodivergentes enfrentarem dificuldades em entrar no mercado de trabalho - muitas vezes nem à entrevista chegam -,o engenheiro avisa que as "pessoas têm sempre uma oportunidade" e "não devem desistir".

"Há que acreditar e há muitos meios por onde entrar e este programa serve para isso mesmo,não deixem de acreditar porque é possível",insiste Jorge Coveiro,que entrou em engenharia informática no Instituto Politécnico Beja,mas como também gosta "muito de matemática",já trilhou "outros caminhos também em termos de cursos".

Admite que,no início,"não estava com nenhuma expectativa do que iria fazer",mas foi "descobrindo ao longo do caminho" e tem sido "super interessante".

O programa de neurodiversidade conta com a Specialisterne como parceira,empresa dinamarquesa criada em 2004 e fundada pelo pai de uma pessoa autista,na altura como estava ligado à área tecnológica,foi a origem da organização,relata Joana Baptista.

"Neste momento,já não são só pessoas autistas que contratamos e que colocamos no mercado de trabalho,são também pessoas neurodivergentes com PHDA [Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção],com dislexia,com Tourette [síndrome caracterizado pela presença de múltiplos tiques motores e pelo menos um tique vocal]",acrescenta,referindo que tal é feito de forma muito metódica,muito sistemática,a nível mundial.

Está presente em 26 países,tem 11 escritórios locais e todos os outros a trabalhar de forma remota.

"Em Portugal estamos desde 2021,numa parceria criada inicialmente com a Critical Software,onde foi,de facto,estruturado o programa de neurodiversidade" e "já temos,neste momento,integradas 40 pessoas no mercado de trabalho,dentro das várias empresas (...),mas também noutros projetos de inclusão",sublinha Joana Baptista.

A responsável salienta que a Specialisterne tem já parceiros "muito fortes,como é o caso da NOS,da Critical TechWorks,da Caixa Geral de Depósitos,da Critical Software,e de outras empresas que estão com outros projetos",em paralelo,mas não dentro do programa de neurodiversidade.

No autismo,o espectro vai do nível 1 ao 3,pelo que há pessoas que precisam mais de suporte que outras,mas "estamos a falar de pessoas capazes". Contudo,"há um estigma muito grande e há logo uma associação,muitas vezes,de,por exemplo,um défice cognitivo e o que é facto é que não existe sequer evidência científica disso",adverte Joana Baptista.

"No mundo somos 600 colaboradores" e "400 deles são neurodivergentes",e alguns têm cargos de liderança.

Portanto,"o autismo ou a neurodivergência não é um obstáculo para a pessoa ser bem-sucedida no seu local de trabalho". Agora,"é preciso adaptações necessárias,oportunidades para a pessoa se desenvolver e se sentir segura no seu ambiente e poder demonstrar todo o seu potencial",remata.

Em Portugal,a organização tem colocado mais homens no mercado de trabalho que mulheres.

"Porque também nos chegam mais candidaturas de homens. A verdade é que também sabemos que existem muitas mulheres que ainda não têm um diagnóstico formalizado",diz.

No Open Day,Jorge Coveiro refere que nas outras empresas em que este não teve o mesmo tipo de integração que existe na NOS.

Além de um 'buddy' (companheiro),os profissionais neurodivergentes contam também com um mentor.

"O processo que nós fazemos é praticamente igual àquilo que fazemos com qualquer colaborador" e o que "nós procuramos fazer é ter aqui uma primeira parte de formação antes de cada uma das missões e atividades",explica Rui Coelho,mentor de uma pessoa neurodivergente na NOS,responsável pelo desenvolvimento de 'software' na direção de engenharia de redes.

O que "pretendemos é que a pessoa vá fazendo o trabalho que nós precisamos que seja feito e vá crescendo com isso",diz.

Para Rui Coelho,esta medida de inclusão devia ser alargada a outras empresas,porque apesar de alguma preocupação inicial,tal como ele próprio teve,depois a realidade demonstra que é apenas "trabalhar o dia-a-dia".

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