Imagem divulgada pela Nasa mostra a superfície lunar em primeiro plano,enquanto a Terra se põe ao fundo — Foto: Nasa/AFP

Imagem divulgada pela Nasa mostra a superfície lunar em primeiro plano,enquanto a Terra se põe ao fundo — Foto: Nasa/AFP
GERADO EM: 15/04/2026 - 08:16
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O destino da vida na Terra é uma incógnita que a ciência tentou decifrar por meio de complexos modelos matemáticos e simulações computacionais de grande escala. Recentemente,uma pesquisa científica lançou luz sobre os limites temporais da nossa biosfera,sugerindo que a sobrevivência dos organismos no planeta tem um limite muito mais próximo do que se projetava anteriormente.
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O estudo,publicado originalmente na revista Nature Geoscience e posteriormente divulgado por fontes especializadas,sustenta que o oxigênio atmosférico,componente fundamental para a vida como a conhecemos,desaparecerá de forma drástica em um futuro distante.
Para chegar a essa conclusão,os pesquisadores Kazumi Ozaki e Christopher T. Reinhard executaram um sistema de modelagem biogeoquímica e climática que realizou cerca de 400 mil simulações. O objetivo central era determinar a duração das condições ricas em oxigênio na nossa atmosfera. Os resultados indicaram que o tempo médio de vida de uma atmosfera com níveis de oxigênio superiores a 1% dos valores atuais é de aproximadamente 1,08 bilhão de anos,com uma margem de erro estatística. Esse processo de desoxigenação é,segundo os autores,uma consequência inevitável do aumento do fluxo solar à medida que o Sol evolui.
Historicamente,a comunidade científica estimava que a habitabilidade terrestre se estenderia por cerca de dois bilhões de anos,baseando esse período no brilho constante do Sol. No entanto,as novas projeções da Nasa reduzem esse tempo quase pela metade. — Por muitos anos,a vida útil da biosfera da Terra foi discutida com base no brilho constante do Sol — explicou Kazumi Ozaki,autor principal do estudo. O especialista alertou que,à medida que o astro aumenta sua emissão de calor,a Terra se transformará em um ambiente hostil,no qual o ciclo de carbonatos e silicatos levará a uma atmosfera pobre em dióxido de carbono e,eventualmente,a uma queda abrupta na disponibilidade de oxigênio.
Embora o imaginário coletivo frequentemente associe o fim do planeta à expansão final do Sol — um processo que ocorrerá em cerca de cinco bilhões de anos,quando o astro se tornar uma gigante vermelha e engolir a Terra —,a realidade biológica será muito mais breve. Antes que a água dos oceanos evapore completamente ou que a superfície terrestre se torne inabitável devido às altas temperaturas solares,o colapso da atmosfera eliminará todas as formas de vida complexa que dependem da respiração aeróbica. A pesquisa aponta que essa desoxigenação ocorrerá antes da fase de efeito estufa úmido,marcando um ponto de não retorno para a biosfera.
É importante destacar que essa projeção científica se refere à viabilidade global da biosfera e não necessariamente ao destino da civilização humana. Diversos fatores ambientais,mudanças climáticas causadas pelo homem e eventos astronômicos imprevisíveis atuam como variáveis que podem alterar drasticamente o futuro da humanidade muito antes de o Sol esgotar seu ciclo de habitabilidade. Ainda assim,o estudo reforça que,em escala geológica,o destino da Terra está intrinsecamente ligado à evolução estelar e à estabilidade atmosférica que hoje permite a nossa existência.
