Silva em foto de divulgação do novo álbum \'Rolidei\' — Foto: Wallace Domingues RESUMOSem tempo? Ferramenta de IA resume para você

Silva em foto de divulgação do novo álbum 'Rolidei' — Foto: Wallace Domingues
GERADO EM: 12/04/2026 - 19:17
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Durante um período recente — e que talvez ainda esteja em curso —,havia no ar uma certa sensação de que a cota good vibes da música pop brasileira estava excedida,tamanha a quantidade de faixas praianas que invadiram não só o rádio,mas sobretudo a TV,num verão interminável. Uma enxurrada de músicas muito semelhantes nos dava a impressão de que parte da nova geração da MPB estava reunida em Moreré,na Bahia,num eterno song camp. Mas devemos pontuar,por justiça ou boa-fé,que alguns trabalhos com cheiro de maresia têm DNA sim,nasceram organicamente pela natureza artística sincera de quem os concebeu. “Rolidei”,o último álbum de Silva,lançado na última quinta-feira,se encaixa nesta última prateleira.
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Capa de 'Rolidei',o sétimo álbum de estúdio de Silva — Foto: Divulgação
O sétimo disco da carreira do cantor e compositor de 37 anos,nascido em Vitória (ES),está em plena ressonância com o que ele vem apresentando desde sua estreia,“Claridão” (2012). Silva,que sempre cantou baixinho,também sempre trouxe na bagagem uma vontade de soar solar,embora sua discografia também já tenha flertado com a sombra e a noite. Silva ouviu as canções praieiras de Dorival Caymmi,sabe da importância fundamental de João Gilberto,é devoto do balanço inigualável de João Donato,e imprime com naturalidade suas influências nos trabalhos que põe no mundo,vide as canções de “Brasileiro” (2018) ou “Encantado” (2024).
Ao longo das 12 faixas de “Rolidei”,quase todas feitas em parceria com seu irmão,Lucas Silva (ele é Lúcio),o capixaba avança na estética praiana para criar um grande feriadão. Está feito o convite: tire uma folga,vá para o litoral,se estique,dê um mergulho. Espécie de pagode baiano tropicalista,“Sudamérica”,a faixa inaugural,adianta o tom de todo o trabalho. A seguinte,“Areia”,envelopa versos bonitos num ijexá moderno,com slices de guitarra: “Areia que beija meu pé/ O pé que se queima no chão/ Não é contradição/ O amor é um fogo bom”. Aliás,é bom dizer,todas as letras estão inspiradas,e mesmo na faixa de transição,“Dias assim”,é o mar quem parece versar confortável na esteira de um violão bem tocado.
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Desce aí um mojito,sei lá,uma piña colada,porque o baile segue num ska gostosinho,“Deus de batom” é uma das melhores do disco e amarra o conceito: “Dias assim não foram feitos pra acabar”. Os ombros já estão vermelhos de sol em “Sorriso de pura beleza”,a sexta faixa,um hula havaiano que deságua num refrão noventista fator 50. A ótima “Virá” é uma senhora lambada com selo Luiz Caldas de quadris em festa. Merece destaque,ainda,“Hotel Pasárgada”,uma baladinha que evoca um lugar idílico,“lá que mora o meu coração”.
Silva deve ter feito o disco todo de sunga. Acertou.
Cotação: Bom.
