Haus,um dos edifícios da Inti Empreendimentos com atraso na entrega. Unidade fica na Rua Assis Bueno,em Botafogo — Foto: Divulgação e Domingos Peixoto

Haus,um dos edifícios da Inti Empreendimentos com atraso na entrega. Unidade fica na Rua Assis Bueno,em Botafogo — Foto: Divulgação e Domingos Peixoto
GERADO EM: 07/04/2026 - 19:04
O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO
O sonho da casa própria após o casamento foi o que motivou um engenheiro do Mato Grosso do Sul a presentear a filha com um apartamento no Rio após o enlace; ele queria ajudá-la a iniciar a nova fase da vida. Cerca de 85% do valor do apartamento já foram quitados,mas ainda não há previsão de entrega. A história da família é uma entre dezenas de outras de adquirentes que compraram apartamentos da Inti Empreendimentos na Zona Sul do Rio e se preocupam com não receber os imóveis a tempo de cumprirem seus planos. Edifícios de alto padrão de bairros como Urca,Botafogo,Leblon e Gávea tiveram obras paralisadas por falta de recursos,como admite o sócio-diretor André Kieffer. O último bairro é onde fica o possível futuro lar da sul-matogrossense entrevistada pela reportagem.
Alto padrão: Nova leva de hotéis marca virada do Rio no turismo de luxoDas experiências raras às afetivas, Rio está no topo do turismo sofisticado
— Estou grávida de dois meses e a nossa vida está toda parada por conta destes problemas. Isso pode acabar com um sonho. Desde o início das obras,começamos a desconfiar. Todos os cronogramas que eles enviavam tinham algum descumprimento. O começo já não foi na data planejada. A prevista em contrato de entrega era para agosto de 2025. Se duvidar,já é o terceiro cronograma de obras que eles enviam,e todos com os prazos alterados. Inclusive,no último,a cerimônia de entrega de chaves foi adiada para 31 de dezembro de 2026 — lamenta a jovem,que segue vivendo de aluguel.
Mais de 70 apartamentos deixaram de ser entregues no prazo por conta de verba insuficiente. Em sites de corretoras e em propagandas,é possível encontrar unidades na planta anunciadas a R$ 4,6 milhões,caso de coberturas do Edifício Haus,na Assis Bueno,em Botafogo. Mas a construção ainda está com tapumes,madeiras e redes esburacadas. O empreendimento da Rua Sambaíba,do Alto Leblon,tem metro quadrado vendido a até R$ 20.292. No vídeo de divulgação,o projeto é anunciado ao som de Bossa Nova e entremeado com depoimentos de profissionais de escritórios renomados de arquitetura. No local da obra,a realidade é de apenas dois pavimentos dos oito anunciados construídos e a obra paralisada.

Prédios da Inti Empreendimentos na Urca,em Botafogo e na Gávea — Foto: Domingos Peixoto
Continuar Lendo
O sócio-diretor da empresa responsável diz que o dinheiro está no fim e não cobrirá o restante dos trabalhos dos edifícios. Ele alega que a maioria dos contratos se deu no regime de obra por administração,em que os custos podem ser compartilhados com os adquirentes. Alguns compradores,no entanto,rebatem sua versão. Depois de amanhã,uma reunião será feita com investidores de apartamentos do Cora,entre eles alguns advogados que têm se juntado para se proteger de grandes prejuízos. Um adquirente ouvido pela reportagem diz que em seu contrato consta que a obra é por incorporação. Nestes casos,um banco costuma ser garantidor da verba.
Três compradores ouvidos pelo GLOBO se revoltaram com os atrasos e com termos de rescisão apresentados pela Inti. Os adquirentes acusam a empresa ainda de falta de transparência em relação às intercorrências que postergaram as obras,às constantes mudanças no cronograma e à falta de retorno às tentativas de comunicação. A Inti nega que tenha demorado a retornar a comunicação.
Outra família que se mudou no ano passado para um empreendimento da Inti no Leblon teve problemas até depois de se instalar no imóvel. A compradora diz que foram anunciadas duas vagas de garagem por apartamento no período da venda e quatro para a cobertura. Depois de passarem a viver no local,descobriram que só tinham direito a uma vaga. Os moradores contrataram advogados e entrarão na Justiça;
No fim de dezembro,a Inti foi citada numa ação movida por vizinhos de um dos empreendimentos da Gávea. O processo trata de execução de título extrajudicial,relativo a um dos imóveis vendidos. A decisão indica que houve penhora na conta da empresa. Foram bloqueados cerca de R$ 200 mil,em sequência desbloqueados após acordo.
O charme agora é outro: Ipanema dá adeus a lojas de alto luxo e atrai mais empreendimentos residenciais
O diretor da Inti relata que alguns dos atrasos se deram por conta de intercorrências que os estudos de viabilidade técnica não previram,entre eles um procedimento de descontaminação maior do que o esperado nas proximidades do edifício Dumont,na Praça Santos Dumont,na Gávea,e um corte de rocha perto da unidade do Leblon. André Kieffer diz ainda que muitos dos clientes já são donos das frações do terreno.
— Com o dinheiro que a gente recebe pelas frações do terreno,a gente faz a escritura em nome deles. Normalmente,quando a gente faz isso,a gente tem os projetos preliminares do empreendimento. E o prédio está lá ainda,não foi removido. Por mais que tenham sido feitos estudos de sondagem,topografia e demais análises necessárias,sempre tem ainda uma dúvida. Cem por cento de certeza não tem. A gente costuma deixar uma margem de gordura na obra para que se houver algum problema a gente conseiga seguir. Mas de fato algumas obras tiveram mais problemas ainda,demorou mais tempo para provar,enfim. Quase todos os empreendimentos têm receita necessária para terminar a obra ou quase para terminar a obra — afirma.
