
Crianças brincam em escola — Foto: Hudson Pontes
GERADO EM: 15/06/2026 - 21:20
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Este ano nós teremos uma eleição para escolher cargos muito importantes para o Executivo e Legislativo. Preocupadas com a negligência infantil no Brasil,400 organizações sociais formaram uma aliança,a Agenda 227,para fazer um levantamento dos problemas que afetam as crianças e os adolescentes.
O nome vem do Artigo 227 da Constituição Federal,que explicita a prioridade absoluta da infância na formulação de políticas públicas de educação,saúde e proteção. Embora isso não aconteça,a Aliança faz questão de lembrar nossos governantes que o artigo existe.
Em 2022,a aliança elaborou um Plano País Para Criança e Adolescentes,com proposta de ações e metas e,nesses quatro anos,vem atualizando e monitorando as metas. Neste ano,a organização publicou uma análise de 81 metas de políticas públicas,distribuídas em 22 áreas temáticas,como saúde,nutrição,educação,enfrentamento às violências,pobreza,fome e desigualdade. Segundo o monitoramento,15% delas foram integralmente cumpridas. Outras 37% apresentaram progressos significativos,com avanços estruturais e operacionais consolidados. Do total,apenas oito metas (9%) não apresentaram evolução ou sofreram algum tipo de retrocesso.
Para o novo Plano País,nossa fundação ficou responsável por coordenar as metas nas áreas de nutrição e violência não letal contra a criança e o adolescente,dois dos seis eixos de atuação que adotamos. No período mais recente de monitoramento (2023–25),os dados indicam avanços relevantes nessas áreas,especialmente no eixo do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA),em que saúde e nutrição aparecem entre os grupos com resultados mais consistentes.
Entre as evidências,destacam-se iniciativas e programas já consolidados no país,como o Programa Nacional de Imunizações (PNI),que segue como eixo estruturante das políticas de vacinação,e a organização da Atenção Primária à Saúde,que concentra ações voltadas à saúde materno-infantil,área que esteve abandonada pelo governo anterior e se deteriorou na pandemia.
A área de nutrição está voltada à garantia da segurança alimentar e nutricional,com foco no desenvolvimento saudável e na integração com políticas de saúde,assistência social e combate à pobreza. Saindo do Mapa da Fome,o desafio agora está na obesidade.
No Brasil,a obesidade superou a desnutrição como o tipo de má nutrição mais comum desde antes do ano 2000. Naquele ano,o percentual de crianças e adolescentes brasileiros de 5 a 19 anos com obesidade era de 5%. Esse número triplicou até 2022,quando chegou a 15%. Já o número de meninos e meninas em desnutrição aguda (baixo peso para altura) diminuiu de 4% para 3% no mesmo período.
O percentual de crianças e adolescentes com sobrepeso no país também cresceu,dobrando de 18%,em 2000,para 36% em 2022,nessa faixa etária. De 2021 a 2025,o consumo de alimentos ultraprocessados entre crianças de 6 meses a 2 anos aumentou de 30% para 35% (pico de 44% em 2022).
No final de abril,o Instituto Infinis,frente de filantropia e advocacy da nossa fundação,patrocinou uma edição especial da revista Stanford Social Innovation Review Brasil tratando exclusivamente dos problemas ligados à segurança alimentar.
Vivemos num país complexo,cheio de desigualdades,onde as problemáticas se somam às diferenças regionais e culturais locais. Portanto,precisamos trabalhar menos com médias e mais com dados localizados na busca de soluções cada vez adaptadas as realidades vividas pelas populações,e não com soluções nacionais decididas em Brasília. Existem dados e tecnologia social para isso.
