
Arqueólogos descobriram o esqueleto de um equídeo sob uma padaria — Foto: Redes Sociais/pompeii_parco_archeologico
Mais de 2.000 anos após a tragédia que apagou a cidade de Pompeia do mapa,uma equipe de pesquisadores descobriu os restos mortais de dois grandes equídeos que morreram presos dentro de uma padaria durante a devastadora erupção do Monte Vesúvio,em 79 d.C.
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A descoberta foi feita na Ilha dos Amantes Castos,uma das áreas mais estudadas do sítio arqueológico. No local,especialistas encontraram os esqueletos de dois animais que aparentemente foram soterrados após o desabamento do andar superior do edifício. Os resultados foram publicados no periódico eletrônico e-Journal degli Scavi di Pompei e são considerados fundamentais para a compreensão dos momentos que antecederam a catástrofe que ceifou milhares de vidas.
Confira:
Os pesquisadores identificaram os animais como RP1 e RP2,embora ainda não tenham conseguido determinar com certeza se eram cavalos,burros ou mulas. Os esqueletos foram encontrados junto a uma parede em uma sala adjacente ao forno principal da padaria,um espaço que não estava sendo utilizado para a produção de pão naquele momento.
A principal questão levantada após a descoberta foi por que havia dois equídeos dentro de uma padaria. Segundo os especialistas,a explicação está relacionada às obras de reparo que estavam sendo realizadas no prédio pouco antes da erupção. Estudos indicam que a padaria e o estábulo principal haviam sofrido danos em decorrência de terremotos ocorridos anos antes.
O cômodo onde os animais foram encontrados servia originalmente como estábulo. No entanto,na época da tragédia,o espaço passava por reformas e,sem outro local para abrigar os animais,seus proprietários aparentemente optaram por mantê-los ali.
Um detalhe revelado pela análise dos restos mortais mostrou que os animais não morreram queimados pela lava.
Uma das descobertas mais surpreendentes do estudo diz respeito ao momento exato da morte dos animais. Os arqueólogos não encontraram vestígios de lapilli,as pequenas pedras vulcânicas que começaram a cair durante os estágios iniciais da erupção. A ausência desse material levou os especialistas a concluir que os animais morreram antes que a chuva de pedra-pomes atingisse aquela parte da cidade.
A principal hipótese dos pesquisadores é que os mamíferos foram esmagados pelo desabamento do andar superior durante os violentos tremores que antecederam o evento vulcânico. Uma enorme viga de madeira parcialmente carbonizada,com aproximadamente dois metros de comprimento,foi encontrada sobre os esqueletos. Análises realizadas nos laboratórios de Pompeia determinaram que ela pertencia a um bordo e fazia parte da estrutura do piso superior.
Especialistas acreditam que a estrutura começou a arder durante a erupção,mas acabou sendo coberta por cinzas e gases quentes,o que impediu que fosse completamente consumida pelo fogo. A descoberta permitiu reconstruir a forma como o edifício desabou sobre os animais e ajudou a compreender melhor a sequência de eventos ocorridos nas primeiras horas da tragédia.
Nos próximos meses,os arqueólogos planejam realizar estudos genéticos e biométricos para determinar com precisão a espécie dos animais e obter mais detalhes sobre sua origem,idade e papel na economia local.
