
Marina Silva,ex-ministra do Meio Ambiente — Foto: Cristiano Mariz/O Globo
GERADO EM: 25/05/2026 - 17:07
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Dirigentes de PSOL e Rede intensificaram as conversas no campo da esquerda em São Paulo para emplacar a candidatura de Marina Silva (Rede),ex-ministra do Meio Ambiente,ao Senado. O esforço tem sido por montar uma frente de partidos pela indicação,que já ganhou o apoio do PDT.
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O PSB,contudo,segue articulando pela segunda vaga na disputa sob o argumento de que Márcio França,ex-governador do estado e ministro do Empreendedorismo,ajuda a abrir portas no interior do estado e teria mais chances de conquistar um eleitorado mais de centro.
No dia 19 de maio,o presidente Lula (PT) cumpriu duas agendas na capital paulista acompanhado de Marina e de Simone Tebet (PSB),ex-ministra do Planejamento,nome mais consolidado no pleito ao Senado neste momento. O movimento gerou especulações sobre a chapa ter sido encaminhada e por uma suposta preferência do petista.
— Não chegamos a um acordo ainda. Prosseguem as conversas — afirmou o deputado estadual Emídio de Souza (PT),um dos coordenadores da campanha de Fernando Haddad,pré-candidato ao governo de São Paulo pelo partido de Lula.
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A movimentação por Marina tem sido organizada por Juliano Medeiros,que dirige a federação em nível nacional e deve disputar uma cadeira de deputado federal pelo PSOL,e Giovanni Mockus,líder da Rede no estado e integrante da ala da ex-ministra dentro do partido. Eles procuraram,recentemente,PV e PCdoB,siglas federadas com o PT que ainda não estão contempladas na chapa,além do PDT,para expandir o apelo.
Em meio a essas conversas,no dia 16,Marina posou para fotos ao lado do presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e vice-presidente do PDT no estado,Antônio Neto. “Tenho certeza que vamos encontrar a melhor composição possível para derrotar a extrema direita no Senado com candidaturas progressistas. Reafirmei que Marina Silva tem todas as credenciais para essa disputa”,escreveu o dirigente,mais tarde,nas redes sociais.
Segundo apurou o GLOBO,existe a expectativa,dentro do partido comandado por Carlos Lupi,de ficar com a vice de Haddad (a pecuarista Teresa Vendramini e o ex-prefeito de Araraquara Marcelo Barbieri seriam as apostas de momento) ou a primeira suplência de Marina (posição considerada estratégica,dado que ela teria chances de compor novamente a equipe de Lula caso o presidente seja reeleito).
Medeiros alega que a Federação PSOL-Rede não tem a intenção de causar atritos internos,ponto solicitado pelo próprio Haddad,e que esse seria apenas um “processo de escuta”,sem acordos firmados até o momento,por exemplo,nas suplências. Cada candidato ao Senado concorre com dois nomes reservas.
— A avaliação geral dos partidos é que Marina seria uma candidata competitiva e traria mais pluralidade na chapa — relata,por outro lado.
Nesta semana,Medeiros e Mockus devem tratar do assunto com o deputado estadual Caio França (PSB),presidente regional da sigla e filho do ex-ministro cotado ao Senado. A ideia é colocar abertamente os argumentos pelas candidaturas,o que passa,no caso de França,pelo histórico político do ex-governador e por aquilo que agrega eleitoralmente.
— A gente defende o nome do Márcio França e da Simone Tebet,respeitando as demais forças desse campo político,por entender que são candidatos que conseguem atrair um novo eleitor para Haddad e Lula — afirmou o deputado.
Márcio França não retornou os contatos da reportagem,mas pessoas próximas argumentaram que ele esteve reunido com Haddad no mesmo dia em que Lula acenou a Marina. Do lado da campanha da ex-ministra da Rede,por sua vez,existe a leitura de que o presidente da República fez um "gesto político forte" em favor da composição com Tebet.
Integrantes do PSOL costumam lembrar ainda que o deputado federal Guilherme Boulos,atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência,abriu mão de concorrer nas próximas eleições para ser um dos principais responsáveis pelo diálogo com entidades da sociedade civil e pela mobilização de rua da campanha de Lula em outubro. Seu destino mais provável era o Senado.
Na quinta-feira (21),Haddad demonstrou certa contrariedade com a falta de consenso no grupo,mas disse confiar em uma resolução amistosa.
— Queria que já estivesse resolvido — confessou em visita ao campus da Unifesp em Osasco,a convite do centro acadêmico da Faculdade de Ciências Econômicas. — É importante vermos também o desenrolar dos debates sobre os nomes no campo que a gente representa,porque isso tudo acaba amadurecendo uma solução mais natural.
Ao menos desde o fim do mês passado,Haddad tem conversado com o trio sobre os rumos eleitorais. O petista tem como meta definir a chapa estadual entre o final de maio e o começo de junho,antes da apresentação do plano de governo,prevista para o mês seguinte.
A deputada federal Tabata Amaral (PSB),uma das principais articuladoras da candidatura de Simone Tebet no estado,também pressionou publicamente o PT após evento do Grupo Esfera,em Guarujá (SP),na semana passada. Ela disse que a indefinição da chapa prejudica o planejamento da campanha,sobretudo em um cenário em que os principais adversários já estão colocados.
— O mais importante é que a gente entenda que temos uma eleição difícil e não podemos correr o risco da política perder o tempo do que acontece na rua — declarou Tabata.
