A dura realidade em dez minutos: uma vez em desvantagem, o Vasco tende a se desmanchar

Notícias de destino Aug 24, 2026 IDOPRESS

Allan e Cuiabano disputam bola em Palmeiras x Vasco pelo Campeonato Brasileiro de 2026 — Foto: Cesar Greco / Palmeiras

Quem assistisse ao primeiro tempo de Palmeiras x Vasco teria dificuldade de assimilar que estava diante do primeiro colocado enfrentando o 19º. No entanto,bastaram os primeiros dez minutos da segunda etapa para que algumas coisas ficassem mais claras,e algumas das razões que explicam os 29 pontos e 18 posições que separam as duas equipes aparecessem.

De um lado,estava o clube com a segunda maior receita do país,um dos projetos de futebol mais caros e mais sólidos do Brasil. Do outro,um Vasco que luta contra emergências financeiras enquanto tenta fechar a transição para um novo dono de sua SAF. E a consequência mais imediata do abismo é a qualidade técnica individual,a capacidade de encontrar soluções. Já voltaremos ao tema.

Mas a forma perigosa como as histórias dos dois clubes vêm se cruzando nos bastidores torna o debate natural. O Regulamento de Sustentabilidade Financeira,recentemente aprovado,trata sobre multipropriedade de clubes na Seção 9 de seu Capítulo 3,e estende a parentes as vedações. Como,oficialmente,o novo investidor é enteado da presidente do Palmeiras,e não o seu marido,caberá aos órgãos de controle decidir se há conflito. O que não parece justo é colocar em questão a legitimidade do resultado da partida. Soa até desrespeitoso com os profissionais que foram a campo e suas famílias.

O tema central é que o futebol brasileiro luta contra um atraso na questão do fair play financeiro. Episódios recentes com Corinthians,Internacional e agora o Vasco mostram que custa muito barato se endividar. Sempre há uma recuperação judicial,um deságio proposto aos credores e um pedido de permissão para receber novos empréstimos e contratar mais jogadores,tudo dentro da lei — sem contar os Refis e loterias criadas para salvar tantos clubes. Tampouco ajudam gestos que soam como afronta,como a foto de Leila,seu enteado e um dirigente do Vasco à beira do gramado do Nubank Parque.

Feito o parêntese,voltamos ao jogo. Não é que os 3 a 0,construídos em dez minutos de segundo tempo,tenham sido produto de uma grande guinada tática num jogo que o Vasco controlara muito bem na etapa inicial. A mudança de rumo é produto de um chute brilhante de Flaco López,uma jogada provavelmente inacessível a boa parte dos jogadores que o Vasco tinha em seu ataque.

No primeiro tempo,quando o time defendeu bem as movimentações de Flaco para buscar bola no meio-campo e anulou as tentativas de construção dos donos da casa,os vascaínos tiveram ao menos duas ótimas escapadas de contra-ataque. Mas,sempre que se viam perto da área rival,faltava o refinamento,o acabamento. Porque o gramado é a imagem de um time do Vasco que luta contra as limitações do clube. Para piorar,o 2 a 0,surgido logo na sequência,vem num pênalti bem marcado,embora num lance quase acidental. São muitos golpes em muito pouco tempo.

Uma vez em desvantagem,o time tende a se desmanchar. Se há algum alento a buscar num jogo que termina em goleada por 4 a 1,está no fato de que,com Pedro Emanuel,o Vasco tem tido mais períodos em que compete bem contra adversários de bom nível. Dos reforços que trouxe,Colidio parece mais próximo de se adaptar,enquanto Sosa ainda apresenta dificuldades. O drama só aumentará se Léo Jardim,fonte de segurança nas últimas temporadas,se transformar em outro motivo para dúvida.

É fato que o Vasco ganhou mais estrutura,mais capacidade de se proteger com o novo treinador. Mas há questões cuja solução,por vezes,não está ao alcance do treinador. Restam 15 rodadas,e o Vasco disputou um jogo a menos do que três de seus concorrentes mais próximos. A salvação é possível,mas anuncia-se outra reta final com cara de luta pela sobrevivência.

Fôlego

O Brasileirão é uma prova de resistência,que inclui encerrar duelos tensos e exigentes como o Flamengo teve na Libertadores e,imediatamente,colher pontos em um jogo difícil. No sábado,os rubro-negros fizeram um bom primeiro tempo com bola,mas nunca tiveram o controle quando eram atacados. No segundo tempo,talvez pelo cansaço,um time mais espaçado permitiu um jogo muito aberto. Teve suas chances,mas também cedeu ao Cruzeiro.

Filipismo

O mais notável da estreia de Filipe Luis no Campeonato Francês foi ver seu Monaco,cheio de desfalques,tentar colocar em prática alguns pilares do jogo do ex-treinador do Flamengo: pressão ofensiva e busca por controle. O primeiro tempo da magra vitória sobre o Le Havre teve as duas coisas e um gol em bola parada. Mas seu time não tem a melhor qualidade técnica da liga e sofreu um pouco quando perdeu a posse de bola no segundo tempo.

A nova Premier League

Fazia tempo que a Premier League não começava com um favorito tão claro: o Arsenal,atual campeão. Seu rival de estreia,o Coventry,exigiu pouco,mas os rivais deixam dúvidas. O City virou sobre o Bournemouth,mas tenta lidar com a traumática saída de Guardiola e com uma enorme reformulação: Rodri e Bernardo Silva são as mais recentes perdas. Dos titulares de ontem,só Rúben Dias e Haaland estavam no título da Champions de 2023.

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