
O A350-1000ULR,avião que está sendo projetado pela Airbus para fazer o voo mais longo do mundo — Foto: Reprodução / Airbus / @qantas
GERADO EM: 22/06/2026 - 21:31
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Um novo avião preparado para permanecer entre 20 e 22 horas no ar deverá realizar,a partir de outubro de 2027,a rota comercial sem escalas mais longa do mundo. O projeto da companhia aérea australiana Qantas em parceria com a Airbus prevê ligar Sidney a Londres em um único voo,eliminando as tradicionais conexões entre a Austrália e a Europa e estabelecendo um novo marco na aviação comercial.
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A viagem,porém,não seguirá sempre a rota convencional utilizada atualmente pelos voos entre a Oceania e o continente europeu. Em vez de cruzar o Sudeste Asiático,o Oriente Médio e a Europa,a aeronave deverá contornar a Ásia,passando ao leste do Japão,e seguir em direção ao Polo Norte,passando por regiões próximas à Groenlândia e ao Ártico antes de descer em direção ao Reino Unido. Esta rota deve ser a adotada em pelo menos 20% desses voo,especialmente durante o inverno do Hemisfério Norte.
Segundo o piloto-chefe técnico da Qantas,Alex Passerini,a escolha da rota ocorre por razões operacionais e meteorológicas. De acordo com ele,evitar ventos em certas épocas do ano será mais eficiente para a viagem e também mais rápido. Embora companhias aéreas já passem pela região,esta rota será uma novidade para aeronaves australianas.
— Toda a abordagem é muito diferente do que costumávamos fazer. No fim das contas,estamos voando sobre o Pacífico Norte,Alasca,Groenlândia,Islândia e entrando em Londres pelo norte. A fase de planejamento é extremamente importante porque define a quantidade de combustível a ser carregada na aeronave,o tempo de voo e quaisquer restrições aplicadas à rota — explicou o piloto ao site de notícias australianos News.com.au.
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O A350-1000ULR,avião que está sendo projetado pela Airbus para fazer o voo mais longo do mundo — Foto: Reprodução / Airbus / @qantas
Além da ligação entre Sidney e Londres,a Qantas também pretende operar voos sem escalas entre Sidney e Nova York utilizando a mesma aeronave. O objetivo da empresa é conectar diretamente a costa leste da Austrália a alguns dos principais centros financeiros do mundo,reduzindo o tempo total de viagem e eliminando conexões internacionais.
Os novos voos fazem parte do chamado Projeto Sunrise,iniciativa da companhia australiana destinada a tornar viáveis as rotas ultralongas. Para isso,a empresa encomendou versões especialmente adaptadas do Airbus A350-1000,que foram batizadas como A350-1000ULR,e receberão modificações para ampliar a autonomia e melhorar o conforto dos passageiros.
As aeronaves contarão com tanques de combustível adicionais e capacidade de passageiros reduzida em comparação aos modelos convencionais. Em vez de transportar mais de 300 passageiros,os aviões deverão levar cerca de 238 pessoas,distribuídas entre primeira classe,executiva,econômica premium e econômica. Haverá ainda um revezamento entre pilotos.
A configuração interna foi projetada para tornar suportável uma viagem que poderá ultrapassar 20 horas. Os passageiros terão áreas destinadas a alongamentos e movimentação durante o voo.
A Qantas também desenvolveu estudos com especialistas em medicina do sono,nutrição e fadiga. O objetivo é reduzir os efeitos do fuso horário e do longo período dentro da aeronave. A iluminação da cabine,os horários das refeições e até os momentos de descanso foram planejados para ajudar os passageiros a se adaptarem ao destino.
O A350-1000ULR já concluiu uma das etapas mais importantes de seu desenvolvimento. A Airbus informou que a aeronave completou com sucesso seu voo inaugural em Toulouse,França,onde permaneceu no ar por 3 horas e 42 minutos e atingiu uma altitude de mais de 41 mil pés.
Quando entrar em operação,o voo entre Sidney e Londres deverá se tornar a ligação comercial sem escalas mais longa do mundo,com duração estimada de 18 a 20 horas,podendo chegar a 22 horas,inaugurando uma nova era das viagens aéreas de ultralonga distância.
