Per Gessle e Lena Philipsson,do grupo PG Roxette — Foto: Divulgação/Fredrik Etoall RESUMOSem tempo? Ferramenta de IA resume para você

Per Gessle e Lena Philipsson,do grupo PG Roxette — Foto: Divulgação/Fredrik Etoall
GERADO EM: 10/04/2026 - 20:28
O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO
A morte,em 2019,por câncer,da cantora Marie Fredriksson,encerrou a carreira da dupla sueca Roxette,um dos maiores sucessos de todos os tempos da música pop,que entre os anos 1980 e 90 enfileirou hits mundiais da estatura de “It must have been love”,“Spending my time”,“Listen to your heart”,“The look”,“How do you do”,entre tantos outros.
Roxette: A indispensável banda sueca da última era em que o pop se permitiu ser ingênuoE se uma influencer conservadora acordasse no século 19? Americana fatura milhões com livro em que tradwife viaja no tempo
Metade restante do duo,o guitarrista,produtor e compositor Per Gessle,de 67 anos,se convenceu de que aquelas eram músicas preciosas demais para permanecer apenas nas rádios e no streaming. E voltou aos palcos para tocá-las com o projeto PG Roxette,que chega ao Brasil para shows este domingo no Rio de Janeiro (no Vivo Rio) e terça-feira em São Paulo (no Espaço Unimed). Ao seu lado,agora,está uma antiga amiga,a cantora Lena Philipsson,60,que,em sua bem-sucedida carreira,chegou a representar a Suécia no festival Eurovision.
— Fui um dos compositores (mais precisamente,o letrista) da música que lançou Lena ao estrelato em 1986 (“Kärleken är evig”,algo como “O amor é eterno”) — conta Gessle,em entrevista por Zoom ao lado da cantora. — Lembro-me de um jantar em Halmstad,minha cidade natal,quando você tinha uns 20,19 anos (“Dezenove”,confirma ela); e eu,uns 25 ou 26. Nos conhecemos há muito tempo,só não tivemos muito contato ao longo dos anos.
Escolhida por Per Gessle pela sua capacidade vocal e presença de palco,respeitando o legado de Marie Fredriksson sem tentar substituí-la,Lena Philipsson não apenas tem participado dos shows do PG Roxette,dedicados exclusivamente aos hits da antiga banda,como ainda cantou em “Bad blood”,single do PG Roxette lançado no ano passado.
Continuar Lendo
— Eu achava ótimas as músicas do Roxette,mas estava trabalhando naquela época,e costumava pensar nelas de uma forma profissional,em termos de produção. Nunca tive um pôster do Roxette na parede — revela Lena. — Foi uma grande surpresa ser chamada,porque é bem difícil cantar músicas de outra pessoa e tentar fazê-las soar como se eu as tivesse cantado a vida toda. Mas estou muito feliz em trabalhar com o Per,nós nos damos bem.
A época em que Per Gessle e Lena Philipsson se conheceram,40 anos atrás,foi também aquela em que ele começava a gravar o primeiro álbum do Roxette,“Pearls of passion”,que começou como um disco solo seu,e com sonoridade e cortes de cabelo bem típicos da época.
— É difícil entender por que tínhamos aqueles cortes de cabelo (risos),mas,musicalmente,acho que é um álbum bem interessante. Na verdade,as canções foram compostas em sueco e o disco foi rejeitado pela gravadora. Então,quando o primeiro single do Roxette,“Neverending love”,se tornou um grande sucesso no verão de 1986,a gravadora quis um álbum muito rápido — recorda-se Per Gessle. — Então,eu disse que podia traduzir o disco solo rejeitado e esse se tornou o primeiro álbum do Roxette. Foi a primeira vez que trabalhei de verdade com Marie e Clarence (Öfwerman,tecladistan e produtor) no estúdio e os dois me ajudaram muito a deixar as músicas muito melhores do que eram. Depois,claro,tudo explodiu no segundo álbum (“Look sharp!”,de 1988),que foi um projeto ainda mais sob medida para Marie e o Roxette.
Para Gessle,para chegar ao sucesso “você precisa ter os recursos necessários,timing,talento e sorte,é preciso que tudo esteja a seu favor” (“e tivemos muita sorte de que tudo aconteceu ao mesmo tempo”,acrescenta). No caso do Roxette,ele ainda aponta um motivo adicional: o de ter um som em nada parecido com o dos artistas do cenário internacional da época.
— Assim que fizemos sucesso nos Estados Unidos,nossa gravadora queria que nos mudássemos para a América ou pelo menos para Londres — conta Gessle. — Eu disse não,e acho que foi uma decisão muito sábia,porque o motivo de termos um som tão especial é que tocamos com músicos suecos,temos um produtor sueco... somos muito suecos! Somos de um lugar bem distante,não soamos como se fossemos da América ou da Inglaterra. Foi assim como o ABBA nos anos 1970.

O duo Roxette formado por Marie Fredriksson and Per Gessle,em 2016 — Foto: Divulgação/Viktor Flumé
Para o integrante de um duo que em 1996 lançou a compilação “Baladas en español” (com seus hits vertidos para a língua de Miguel de Cervantes e Bad Bunny),o que lhe parecem as inúmeras versões de suas músicas feitas para o português,por artistas do forró e até mesmo por Pabllo Vittar (que transformou “Listen to your heart” em “Pede pra eu ficar”)?
— Falando do ponto de vista de um compositor,sempre me sinto lisonjeado quando as pessoas querem gravar minhas músicas. Vi muitos vídeos no YouTube de artistas brasileiros cantando nossas músicas e todos são ótimos — comenta. — As versões são bem diferentes das originais,mas funcionam,as pessoas parecem gostar delas. Já vi estádios de futebol cantando junto com elas. Então,o que posso dizer? É fantástico mesmo!
O PG Roxette surgiu em 2021,com Per Gessle,Helena Josefsson e Dea Norberg (cantoras de apoio do Roxette),mais alguns músicos que acompanhavam o duo nos discos e shows,como Clarence Öfwerman. E tudo aconteceu por uma razão até inusitada.
— Recebi o convite do Metallica através da Live Nation aqui em Estocolmo. Eles me perguntaram se eu queria participar do tributo ao “Black Album”,e eu disse que não era nenhum especialista na banda,só conhecia umas duas músicas deles. E “Nothing else matters” é uma faixa fantástica. Então,se eu pudesse cantá-la,tudo bem. Essa foi a primeira gravação do PG Roxette — conta. — Ficou parecendo Roxette,não é mesmo? O (baterista do Metallica) Lars Ulrich não é exatamente um amigo próximo,mas eu o encontrei algumas vezes,então talvez ele tenha tido alguma participação nisso. Ouvi dizer que ele gostou da versão.
Geese: A banda do momento,fala do sucesso meteórico,de planos de vir ao Brasil e mostra seu humor
Com o PG Roxette,Gessle acabaria gravando um álbum de músicas inéditas,“Pop-Up Dynamo!” (2022). Segundo ele,numa época em que “não sabia o que fazer com o Roxette”:
— A faixa do Metallica foi o catalisador para que eu fizesse um álbum,porque eu estava compondo músicas em inglês,de uma forma que eu achava que se encaixariam no estilo da dupla. Por isso,usei algumas pessoas da antiga formação da banda e algumas das garotas que cantavam comigo em turnê. O PG Roxette era algo diferente,mas no estilo do Roxette.
